Cotidiano
Serviço gratuito ligava moradores de Praia Grande a Santos e atendia pessoas com deficiência visual
O Lar das Moças Cegas atende gratuitamente cerca de 400 pessoas com cegueira ou baixa visão / Divulgação/Lar das Moças Cegas
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O início do ano letivo trouxe preocupação para famílias de Praia Grande que dependem do transporte até o Lar das Moças Cegas (LMC), em Santos. Segundo relatos, a van gratuita que levava alunos com deficiência visual à instituição deixou de operar sem aviso prévio, afetando cerca de 20 usuários entre crianças, adultos e idosos.
A interrupção teria sido percebida apenas no dia 9 de fevereiro, quando estudantes aguardavam o veículo no primeiro dia de aula e ele não apareceu. Desde então, os familiares afirmam não ter recebido explicações formais sobre a suspensão do serviço.
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Entre os usuários prejudicados está João Vitor, de 10 anos, aluno da instituição desde a infância. De acordo com a família, a van funcionava desde 2024 e era essencial para garantir acesso às atividades educacionais e terapêuticas.
Sem o transporte especializado porta a porta, a alternativa indicada teria sido o uso de ônibus intermunicipais.
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Para pessoas com deficiência visual, porém, o deslocamento em linhas comuns envolve riscos, necessidade de acompanhamento constante e maior tempo de viagem.
Fundado em 1943, o Lar das Moças Cegas atende gratuitamente cerca de 400 pessoas com cegueira ou baixa visão, de diferentes faixas etárias. O local oferece serviços nas áreas de educação, saúde e assistência social, incluindo habilitação e reabilitação para promover autonomia e inclusão.
Para moradores de Praia Grande atendidos pela instituição, o transporte fornecido pelo poder público era o principal meio de acesso às atividades.
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Sem ele, famílias relatam dificuldade para manter a frequência dos alunos, especialmente aquelas com baixa renda e sem veículo próprio.
A suspensão do serviço reacendeu discussões sobre políticas públicas voltadas à acessibilidade e ao transporte de pessoas com deficiência. A retirada de um atendimento especializado, segundo familiares, cria obstáculos à continuidade dos estudos e dos tratamentos.
A Reportagem entrou em contato com a prefeitura de Praia Grande, que afirmou, em nota, que está realizando um estudo técnico para viabilizar o serviço novamente.
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Ainda segundo o texto, o transporte vinha sendo oferecido por conta de uma emenda parlamentar que chegou ao fim, mas a Prefeitura segue trabalhando para ajustar a situação o quanto antes.
A prefeitura de Santos reitera que a responsabilidade pelo transporte de alunos de Praia Grande para o Lar das Moças Cegas, localizado em Santos, é responsabilidade da cidade de Praia Grande.