Sem apartamento, mutuário denuncia a Prefeitura de Bertioga

Arnaldo Ferreira dos Santos diz que pagou por imóvel que nunca foi entregue pela Cooperativa Habitacional de Interesse Social União Bandeirantes

O morador de Bertioga Arnaldo Ferreira dos Santos denunciou esta semana que vem sendo penalizado duas vezes. A primeira por ter pago, durante anos, por um apartamento que não lhe foi entregue pela cooperativa responsável e, a segunda, por acreditar que a Prefeitura de Bertioga está permitindo a construção de outro empreendimento no lugar onde seria seu imóvel, apesar da situação estar judicializada.

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Segundo revelou à Reportagem, a construção dos apartamentos estava sob responsabilidade da Cooperativa Habitacional de Interesse Social União Bandeirantes que, a partir de 2002, iria erguer 12 torres com quatro andares de apartamentos cada, na Avenida Anchieta. Arnaldo dos Santos pagou, durante anos e mensalmente, todas as prestações para concretizar o sonho de ter apartamento próprio.

“No entanto, houve um problema judicial entre a União Bandeirantes e o dono do terreno onde estavam sendo erguidos os apartamentos e os negócios foram desfeitos com a falência decretada. Dois blocos foram abandonados numa área de seis mil metros e eu, como acredito que outros, entrei em 2005 na Justiça para tentar rever tudo o que já havia pago”, revela.

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Surpresa

Passaram-se 12 anos e, para sua surpresa, Arnaldo dos Santos descobriu que havia uma nova sociedade entre o dono do terreno, uma imobiliária e uma construtora que, segundo ele, havia sido formada para erguer um novo empreendimento mesmo sabendo da situação.

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“Desmembraram uma parte do terreno para construir uma nova edificação numa área sob litígio e, o que é pior, a MS Construtora tem relação direta com um secretário municipal e um funcionário de confiança da Prefeitura. Ou seja, acredito que houve algum favorecimento e eu fiquei até hoje com o sonho da casa própria frustrado”, denuncia, informando que perdeu mais de R$ 200 mil.

O munícipe afirma que já esteve na Prefeitura de Bertioga, com seu advogado, para saber como foi que a nova sociedade conseguiu alvará e liberação administrativa para começar o novo empreendimento, mas ninguém explica nada. “Não tive outra alternativa senão denunciar à imprensa”, finaliza.

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Prefeitura

Procurada, a Prefeitura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há informações no processo quanto a embargos judiciais e que, em projetos como o questionado, o proprietário e responsável técnico declaram que sua aprovação não implica no reconhecimento por parte da Prefeitura do direito de propriedade do terreno.

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Quanto à suposta participação do funcionário comissionado, a Administração revela que ele foi contratado antes de assumir a pasta para desenvolver o projeto de arquitetura, não tendo participação na execução da obra. Informa ainda que o projeto em questão levou três anos para ser finalizado – aconteceu em 2015 – quando nenhum dos funcionários fazia parte do quadro da Prefeitura de Bertioga, pois assumiram no início de 2017.

Também informa que o funcionário providenciou a substituição da responsabilidade técnica da empresa quando assumiu o cargo na Prefeitura. O referido projeto foi protocolado em 2012 na Prefeitura e aprovado em 2015, tendo a anuência da Cetesb em 2013, a consulta ao Condema e a Carta de diretrizes da Sabesp em 2014.
A Administração acrescenta que o secretário não é sócio, proprietário, nem teve nenhum tipo de participação no projeto, o que o torna totalmente desvinculado do referido questionamento. Assim, não há conflito de interesses ou favorecimento de qualquer espécie.