A pernambucana Beatriz Ferreira Duarte alcançou no último domingo (21) o título de “supercentenária“, marca que poucas pessoas no mundo conseguem atingir. Nascida em 21 de junho de 1911, ela completou 115 anos de idade cercada por familiares em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife.
Com a nova idade, Beatriz segue como a segunda pessoa mais velha do Brasil e uma das mais longevas do planeta. Seu caso foi validado pela organização internacional LongeviQuest, especializada na certificação de pessoas que ultrapassam os 110 anos.
Ela fica atrás apenas de Yolanda Beltrão de Azevedo, que também tem 115 anos, mas nasceu alguns meses antes, em 13 de janeiro de 1911. As duas “jovens” se destacam pela idade impressionante por integrar um grupo extremamente seleto de brasileiros supercentenários.
Uma vida que atravessou mais de um século
Nascida em Moreno, no interior de Pernambuco, Beatriz construiu sua história ao lado do marido, Amaro Cipriano Duarte, falecido em 1990. Ela dedicou-se à família e acompanhou mudanças profundas na sociedade brasileira ao longo de mais de um século.
Quando veio ao mundo, o Brasil ainda vivia os primeiros anos da República. Desde então, ela testemunhou duas guerras mundiais, a chegada da televisão, a corrida espacial, o surgimento da internet e a transformação dos celulares em ferramentas indispensáveis da vida moderna.
Sua trajetória também foi marcada por momentos difíceis. Ao longo da vida, Beatriz enfrentou a morte de 11 irmãos, de quatro filhos recém-nascidos e da filha Maria Auxiliadora, que faleceu em 2019. Ela ainda possui três filhos, sete netos, 12 bisnetos e uma tataraneta.
Entre as maiores longevidades da história do Brasil
Ao completar 115 anos, Beatriz passou a integrar um grupo restrito de brasileiros que atingiram essa idade. Entre os casos mais impressionantes está o de Francisca Celsa dos Santos, considerada a brasileira mais longeva já reconhecida oficialmente. Ela morreu aos 116 anos e 349 dias em 2021.
Outro nome de destaque é o da freira gaúcha Inah Canabarro Lucas, que faleceu aos 116 anos e 326 dias em abril de 2025. Durante seus últimos meses de vida, ela chegou a ser reconhecida como a pessoa mais velha do mundo.
Também figuram entre os recordistas nacionais nomes como Antônia da Santa Cruz, que viveu 116 anos e 224 dias, e Maria Gomes Valentim, que chegou aos 114 anos e 347 dias.
O rigor para validar uma idade tão avançada
A comprovcação de idade superior a 110 anos exige um processo minucioso de investigação documental. No caso de Beatriz, a validação foi concluída em setembro de 2023 após uma análise conduzida por pesquisadores especializados em longevidade.
Foram examinados registros civis, certidões de nascimento, documentos de identidade e outros arquivos históricos capazes de comprovar sua trajetória desde o início do século XX.
A verificação é considerada fundamental por organizações internacionais, já que registros antigos podem conter inconsistências ou erros de documentação.
Graças ao processo, Beatriz Ferreira Duarte passou a integrar oficialmente os rankings de supercentenários e continua sendo acompanhada por pesquisadores que estudam os fatores relacionados à longevidade humana.
Quem são os brasileiros mais velhos ainda vivos?
Embora o Brasil tenha mais de 200 milhões de habitantes, o Wikipédia informa que são poucos os casos de supercentenários com idade reconhecida e validada por organizações especializadas.
Um dos nomes que mais chamam atenção é o de João Marinho Neto. Nascido em 5 de outubro de 1912, ele é atualmente o homem mais velho do Brasil com idade validada e também um dos homens mais longevos do mundo (113 anos e 260 dias).
Outra integrante desse grupo é Maria Jorge Esteves de Almeida, nascida em 28 de maio de 1912. Portuguesa de nascimento e naturalizada brasileira, ela tem 114 anos e figura entre as pessoas mais velhas do país.
Também aparecem nos registros internacionais Isa Ferreira da Costa Araújo, nascida em 18 de abril de 1914 e tem atualmente 112 anos, e Joaquina de França Rodrigues, que nasceu em 6 de fevereiro de 1916 e já ultrapassou os 110 anos.
Todos eles fazem parte de um universo considerado raríssimo pela ciência. As estimativas internacionais indicam que apenas uma fração mínima das pessoas que chegam aos 100 anos consegue alcançar a condição de supercentenário.








