Secretário de Defesa dos EUA diz que Europa não gasta o suficiente com segurança

Ash Carter fez o comentário em resposta a uma pergunta da plateia, após fazer um discurso na Universidade Georgetown

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22 ABR 201516h28

O secretário de Defesa americano, Ash Carter, disse que prolongados cortes nos gastos de defesa da Europa colocam em dúvida a capacidade do continente de ser um parceiro dos militares dos Estados Unidos, em um momento de crescentes ameaças pela Europa.

"Eles não estão fazendo o suficiente", disse Carter em uma pouco usual avaliação franca sobre os esforços europeus de defesa. Ele disse que eles estão gastando uma fatia menor de sua riqueza em defesa que no passado. "É muito baixa", disse ele. Segundo ele, se a Europa quer ser uma força no mundo, precisa de "mais que uma força moral e política e econômica", mas também da militar. "Não é que eles não tenham dinheiro para fazer isso", comentou.

Carter fez o comentário em resposta a uma pergunta da plateia, após fazer um discurso na Universidade Georgetown sobre a erradicação da violência sexual entre os militares e a ajuda às vítimas de ataques.

O secretário de Defesa americano não visitou a Europa desde que chegou ao posto, em fevereiro. Ele deve ter seu primeiro compromisso no continente em um encontro de ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas em junho.

Os secretários de Defesa dos EUA há tempos reclamam que a Europa não gastaria o suficiente em sua própria defesa. Em geral, porém não expõem a questão de maneira tão franca como Carter fez. Na opinião dele, com o fim da Guerra Fria, aliados norte-americanos na Europa concluíram que os problemas de segurança tinham acabado. "Agora eles estão começando a acordar", afirmou, referindo-se à intervenção militar russa no leste da Ucrânia e ao ataque terrorista de janeiro em Paris, além da proximidade da Turquia da violência do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Carter disse, porém, que o próprio governo do presidente Barack Obama tem seus desafios em seus gastos militares. Ele reiterou que o Congresso evite uma modalidade de cortes na defesa em 2016 conhecida como "sequestro". Segundo ele, esse corte é repentino e arbitrário, gerando como resultado que se retire dinheiro do orçamento para treinamentos e o desenvolvimento de armas.