Saúde está em estado caótico em Peruíbe

Após fechamento do hospital, unidades de saúde e UPA foram sobrecarregadas; sem maternidade, gestantes precisam se deslocar para outras cidades

“Não aguentamos mais ouvir relatos de vidas perdidas por conta do sistema de saúde precário daqui”. O desabafo veio da faxineira Maria Tenório dos Santos, moradora do bairro Pérola Negra. Maria Tenório aguardava em frente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pelo resultado do eletrocardiograma de emergência que havia feito. 

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Com histórico de arritmia cardíaca, a moradora se dirigiu para a unidade na manhã da última quarta-feira (3), após sentir fortes dores. “Passei pela médica e ela me pediu um eletrocardiograma. Já fiz o exame, mas a mocinha disse que estava na hora do almoço dela e que eu precisava esperar duas horas para ela voltar e me entregar o resultado. Meu receio é mudar o plantão do médico e eu precisar aguardar mais. A saúde aqui está em um estado caótico”, desabafou.

No mês passado, a prima da dona Maria Tenório morreu após precisar de atendimento emergencial. Grávida de nove meses, a jovem de 22 anos foi para a UPA de Peruíbe em busca de atendimento. Sem ter médicos especialistas na unidade, a jovem foi encaminhada para o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande (71 km de distância), onde faleceu pouco após dar entrada. 

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Ninguém nasce em Peruíbe desde 2014. A única maternidade da cidade e o Hospital Municipal Dr. Dalmar Americano da Costa foi interditado pela Vigilância Sanitária no início de setembro de 2014.

Com 63.815 habitantes, sendo a maior parte deles usuários frequentes do Sistema Único de Saúde (SUS), a cidade é a sétima a compor o Raio-X da Saúde do Diário do Litoral. A rede de saúde do município é composta atualmente por 1 UPA, 1 Ambulatório Médico de Especialidades Municipal, 1 Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), 1 Centro de Atenção Psicossocial (CAPS I), 1 Ambulatório de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, 1 Laboratório de Análises Clínicas Municipal, 1 Unidade Casa do Adolescente, 1 Casa da Mulher e da Criança, 1 Central de Regulação de Vagas Ambulatoriais, Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica, 1 Centro de Zoonoses, 11 Unidades Básicas de Saúde, 3 Bases Operacionais do Serviço de Atendimento Médico de Urgências (SAMU) e o Complexo Thermal da Lama Negra.

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Durante visita, a UPA estava relativamente vazia. Porém, ao conversar com alguns usuários do sistema, a Reportagem do Diário do Litoral só escutou reclamações, que vão desde o fechamento do Hospital Municipal até erros de diagnósticos.

O pai da comerciante Rose Salgado, moradora de Peruíbe há 34 anos, foi diagnosticado com labirintite na UPA em agosto do ano passado. Como as dores persistiram, uma segunda avaliação médica indicou que o aposentado estava com um coágulo na cabeça e precisava ser submetido a uma cirurgia emergencial. 

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“É um descaso muito grande. Quando precisamos correr até a UPA, somos questionados sobre os motivos de não termos ido até as unidades de saúde. Nas unidades de saúde não tem médicos especialistas. Fazem um pingue-pongue com a gente. Muita gente não tem dinheiro para se deslocar até a UPA, por exemplo, e acaba sofrendo”, desabafou a comerciante.

Em nota, a Prefeitura de Peruíbe informou que o número de atendimentos na UPA continua o mesmo, uma vez que quando o hospital estava aberto o paciente passava inicialmente pela unidade de urgência e caso fosse necessária a internação de baixo risco era encaminhado para o hospital municipal. A média atual é de 400 atendimentos/dia, em todas as especialidades básicas oferecidas.

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Obra do novo hospital não saiu do papel no ‘quarteirão da saúde’

Onde hoje já deveria estar erguido o novo Hospital de Peruíbe não há sequer o alicerce. As obras que começaram no início de agosto do ano passado e tinham previsão inicial de término para agosto deste ano não avançaram na cidade.

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Com investimento de R$ 4,2 milhões do Governo do Estado, a unidade hospitalar deveria possuir três pavimentos e contar com 54 leitos, integrando o chamado ‘Quarteirão da Saúde’, dividindo a mesma área com o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), localizados na Avenida Luciano de Bona.

Questionado, o Departamento Regional de Saúde da Baixada Santista informou que o Estado contribui financeiramente para a execução do projeto do Hospital de Peruíbe, com investimento previsto de R$ 4 milhões. No entanto, esses valores são pagos conforme medição da obra, ou seja, apresentação de documentos que comprovem o andamento. O Estado repassou até o momento R$ 500 mil. 

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A Secretaria de Saúde de Peruíbe informou que não tem conhecimento da paralisação das obras e que o acompanhamento é feito pela Secretaria Municipal de Obras e de Planejamento. Disse também que não sabe informar o prazo para a entrega do equipamento.

Questionada, a Secretaria de Obras e de Planejamento destacou que a suspensão temporária da obra ocorreu em virtude de uma readequação de passagens de gás medicinal conforme exigências técnicas.

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Destacou também que o início da segunda fase da construção está previsto para a próxima quinzena.

A secretaria informou que o término da obra do Hospital Municipal de Peruíbe está inicialmente previsto para o primeiro trimestre de 2017.

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Antigo hospital segue abandonado

Localizado na Rua Alfredo Gomes, ao lado da sede da Secretaria de Saúde de Peruíbe, o antigo Hospital Municipal Dr. Dalmar Americano da Costa segue abandonado e sem perspectivas de reforma.

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O Diário do Litoral entrou na unidade e constatou o estado de total abandono no equipamento que outrora abrigava a principal unidade de saúde da cidade. Macas e cadeiras de rodas abandonadas dividem os cômodos com a sujeira e o abandono.

O antigo hospital municipal, que foi fechado após inspeção da Vigilância Sanitária no dia 2 de setembro de 2014.  Em 2012, o prédio já havia sido interditado após terem sido detectados diversos problemas de infraestrutura, higiene, além da falta de médicos. Enquanto esteve com o atendimento suspenso, pacientes que precisaram de internação foram encaminhados ao Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, ao Hospital Regional de Itanhaém e ao Hospital Guilherme Álvaro, em Santos.

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Questionada sobre os projetos para o hospital, a Secretaria de Saúde informou que há uma previsão de reforma de parte da estrutura para abrigar uma maternidade municipal. No entanto, não estabeleceu data para o início das obras.

Para sanar o problema da falta de maternidade, a Administração informou que A Unidade de Pronto Atendimento conta com ginecologista/obstetra 24 h que dá o primeiro atendimento à gestante, sendo que no caso de haver necessidade de internação ou estando a mesma em trabalho de parto, a paciente é removida de ambulância acompanhada do profissional ao hospital Regional de Itanhaém, o qual se configura como referência oficial para o município.?

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Moradores reclamam de falta de médicos e insumos nas unidades de saúde da cidade

“Para passar pelo médico é preciso agendar com no mínimo um mês de antecedência. Isso para médicos comuns. Se for alguma especialidade específica, demora ainda mais”, desabafou a aposentada Sueli Ana.

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A queixa também se estende para as condições de limpeza e conservação das unidades básicas de saúde. A Reportagem do Diário do Litoral esteve na Unidade Básica de Saúde Ribamar e constatou que a unidade estava sem papel higiênico, papel toalha e sabonete.

A Prefeitura de Peruíbe negou as reclamação. Disse que todas as 12 equipes de saúde da família possuem médicos em seus quadros e que a ausência de materiais na UBS Ribamar foi um problema pontual, já solucionado.

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Moradores reclamam de demora para agendar exames e consultas 

“Não tenho reclamações do atendimento prestado pelos médicos e por todos os funcionários das unidades de saúde, mas a demora para o agendamento de exames é preocupante. Precisei pagar valores muito caros em clínicas particulares, pois pela rede pública demora demais”, destacou Ariane Ferreira, moradora do bairro Caraguava.

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A dona de casa conseguiu fazer a primeira ultrassonografia gestacional pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apenas na 22ª semana de gestação.

A demora no agendamento de consultas, exames e cirurgias foi uma reclamação recorrente dos munícipes ouvidos pela Reportagem.

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Em frente a Unidade de Saúde da Família (USF) Trevo, a dona de casa Iraci Eugênio buscava um encaminhamento para realizar uma cirurgia.

“Estou há 8 meses nessa batalha. Para fazer os exames precisei ir para Praia Grande. Agora estou com os resultados e fica nesse jogo de empurra. Vou tentar um encaminhamento para um ginecologista para que ele tente me encaminhar para algum hospital”, contou.

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A Secretaria de Saúde de Peruíbe informou que de acordo com informações do ambulatório de especialidades, não há demanda reprimida para ultrassom obstétrico, sendo que o agendamento do referido exame se dá em média de uma semana.

Sobre a demora para o agendamento de cirurgias, informou que o município não realizava cirurgias eletivas mesmo antes do fechamento do hospital. Destacou que “a questão não está localizada no município. É um problema regional e portanto está sendo equacionado regionalmente com investimentos pontuais nos equipamentos regionais de médio e grande porte”.?

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Terceirização da saúde está proibida pelo MPT

Após uma série de problemas e denúncias envolvendo a contratação de empresas terceirizadas na área da Saúde desde 2012, a Justiça do Trabalho ‘barrou’ a contratação de novos prestadores de serviço na saúde pública de Peruíbe.

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A decisão foi acatada pela Administração, que homologou em junho passado o resultado do concurso público n.º01/2016 no qual se encontram cargos de médico, médico pediatra, médico psiquiatra, terapeuta ocupacional, agente comunitário de saúde, agente de combate à endemias e auxiliar de saúde bucal.