São Vicente busca apoio para população de rua

De acordo com levantamento da Secretaria de Assistência Social da cidade, 18.163 abordagens foram realizadas e 4.571 pessoas foram atendidas pelos equipamentos públicos no ano passado

Entender a realidade de quem dorme nas ruas, a efetividade das políticas públicas para o segmento e pensar em possibilidades de parcerias para mudar o cenário em São Vicente. Esse é o objetivo da Comissão Especial de Vereadores (CEV) de autoria do vereador Higor Ferreira (PSDB), que organizou na tarde de ontem uma audiência pública para debater as questões.

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De acordo com levantamento da Secretaria de Assistência Social da cidade, 18.163 abordagens foram realizadas e 4.571 pessoas foram atendidas pelos equipamentos públicos no ano passado. Destes, apenas 40% afirmaram ser moradores da cidade.

“Queremos entender o que o município oferece a essa população e também o papel das instituições que trabalham de forma voluntária com esse grupo. Temos que entender e zelar pelos direitos dessas pessoas, pensando também no fato de São Vicente ser uma cidade turística e que precisa desse título para conseguir gerar empregos e ter investimentos”, destaca o vereador.

A Prefeitura estima que atualmente 156 pessoas vivam em situação de rua no município. No entanto, o número é flutuante e registra aumento em períodos de temperaturas altas.

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“Queremos convidar a sociedade para debater a situação dessas pessoas e pensarmos juntos as melhores alternativas para lidar com esse assunto de forma regional. Já registramos alguns avanços significativos, como a ampliação do horário dos equipamentos e a possibilidade de 40 usuários serem abrigados na companhia de seus animais. Mas o trabalho é complexo e ainda temos muito o que fazer e pensar enquanto sociedade”, conta a secretária de assistência social, Maria de Lourdes dos Santos Oliveira.

Um projeto de Lei de autoria de Higor tramita na Câmara e tem como objetivo destinar 5% das vagas nos postos de trabalhos das empresas vencedoras de licitações para pessoas em situação de rua que frequentem os serviços sociais do ­município.

Exclusão

De acordo com a professora da Universidade Federal de São Paulo, Luzia Fátima Baierl, a população de rua é tão recorrentemente excluída e cerceada de seus diretos que sequer é contabilizada no Censo do IBGE. “Uma parte significativa da população não está compilada nos indicadores oficiais. Em outros termos, quase não são considerados brasileiros”, conta. 

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Em um ato de protesto, Henrique Cândido questionou a aplicação do Artigo 6º da Constituição Federal, que destaca como direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. 

“Não basta fazer audiências e mais audiências e nada sair do papel. Eu convivi com muitas pessoas que estão no relento. Não é uma condição que elas escolheram estar, mesmo aquelas que não querem usar os equipamentos. Cada pessoa tem uma história e precisa de ações efetivas para ­mudar de vida. ­Espero que não seja apenas falácia aqui hoje e sim o primeiro passo para o cumprimento do que determina a Constituição”, finaliza.