Em entrevista à Agência Brasil de notícias, Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, lembrou que o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que a cidade de São Paulo abriga 590 mil imóveis particulares vazios.
Enquanto isso, há em torno de 92.556 pessoas vivendo nas ruas atualmente na Capital Paulista.
Esta projeção é do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Cruzando os dados do IBGE com os do Observatório da UFMG chega-se à conclusão que há mais de cinco imóveis desocupados na Cidade para cada sem-teto.
Para Mendonça, se há crescimento na população em situação de rua e uma grande quantidade de moradias ociosas, não só em São Paulo, mas em todo o País, isso significa que “está faltando interesse político para resolver o problema”.
“Se temos mais de 588 mil prédios ociosos na cidade de São Paulo e 90 mil de população em situação de rua, isso quer dizer que se fosse feita uma reforma nesses prédios, tornando-os habitacionais, nós teríamos resolvido uma boa parte dessa demanda e tirado essas pessoas da situação de rua”, pondera o líder dos sem-teto.
“Isso tornaria muito mais barata a questão da moradia do que o custeio com albergue e outras questões que o governo busca fazer para tentar solucionar o problema que nunca consegue solucionar”, salienta Mendonça.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social não forneceu dados sobre a quantidade de pessoas vivendo nas ruas dos 645 municípios do Estado.
Mas, a secretaria ligada ao governo Tarcísio de Freitas informou que, em 2024, dos cerca de R$240 milhões do Fundo Estadual de Assistência Social destinados aos municípios, foram repassados cerca de R$156 milhões aos municípios em serviços de Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade.
Nem ensino fundamental
O levantamento do Observatório da UFMG apontou ainda que sete em cada dez pessoas em situação de rua no País não terminaram o Ensino Fundamental e 11% encontra-se em condição de analfabetismo, dificultando o acesso das pessoas às oportunidades de trabalho.
