São Paulo registra o 1º parto mundial de trigêmeos de útero transplantado

O feito inédito ocorreu no Hospital das Clínicas (HC) e envolveu transplante de útero entre irmãs vivas; bebês nasceram prematuros, mas saudáveis

Esse também foi o primeiro caso com uma doadora viva na América Latina

Esse também foi o primeiro caso com uma doadora viva na América Latina | Divulgação

O Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) anunciou em novembro um marco histórico na medicina reprodutiva global: o registro do primeiro caso de bebês trigêmeos nascidos de um útero transplantado no mundo. O feito, que ocorreu em agosto, é ainda mais significativo por se tratar do primeiro transplante de útero realizado entre mulheres vivas na América Latina.

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A paciente, que nasceu sem útero (condição conhecida como síndrome de Rokitansky), participava do programa de doação de doadora falecida, mas foi submetida a um novo projeto em que sua própria irmã pôde ser a doadora.

“Esse caso é o primeiro transplante de útero com doadora viva na América Latina,” explicou o professor Dani Ejzenberg, supervisor do Centro de Reprodução Humana do HC e membro da equipe responsável. A irmã doadora já tinha dois filhos e manifestou interesse em ajudar a paciente a gerar.

Gestação rara e de alto risco

A gravidez dos trigêmeos foi resultado de um evento extremamente raro e surpreendente. No final de janeiro, a equipe realizou a transferência de apenas um embrião para o útero transplantado, justamente para evitar a gestação gemelar. Contudo, o embrião se dividiu não uma, mas duas vezes, um fenômeno com cerca de 0,04% de chance de ocorrer.

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Devido à gestação múltipla em um útero implantado, a gravidez foi rigorosamente monitorada por um grupo multidisciplinar de especialistas em obstetrícia, transplantes e reprodução humana.

O professor Wellington Andraus, coordenador médico da Divisão de Transplantes de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo do HC, destacou que o útero transplantado demonstrou ser viável para suportar a gravidez gemelar, apesar da prematuridade esperada.

“Além disso, também mostra que os embriões que estavam congelados desde 2014 eram viáveis, demonstrando também a possibilidade de usar embriões que ficam congelados por muitos anos”, esclareceu.

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Os três bebês nasceram prematuros, após sete meses de gestação, mas já receberam alta e, segundo os médicos, se desenvolvem bem. O sucesso do procedimento não apenas abre uma porta para mulheres com infertilidade de fator uterino, como também consolida o Brasil como pioneiro e referência mundial nesse tipo complexo de transplante.