Cidade do litoral vira capital da ‘Agenda 2030’ e discute o futuro das cidades inteligentes no Brasil

2º Encontro das Cidades ODS reúne especialistas, prefeitos e o Grupo GMG no Parque Valongo para debater como transformar tecnologia e sustentabilidade em soluções reais para os municípios

Evento ODS

Debates na Baixada Santista reúne lideranças nacionais para discutir sustentabilidade local /Júlia Macêdo

Nesta sexta-feira (15), Santos se tornou a capital dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ao sediar o 2º Encontro das Cidades ODS. O evento gratuito acontece no Parque Valongo e reúne representantes de municípios e especialistas de todo o Brasil. 

Até sábado (16), os participantes debaterão estratégias para fortalecer a implementação da Agenda 2030, com temas como acessibilidade, meio ambiente e diversidade.

Realizado no Parque Valongo, o encontro reforça o protagonismo da cidade na pauta dos ODS. Durante os dois dias, o público terá acesso a uma programação intensa e diversificada, organizada em quatro áreas principais: painéis, palestras, Feira ODS e atividades culturais. 

O evento é um espaço estratégico de diálogo e cooperação, destacando, assim, o papel das cidades brasileiras na territorialização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Cubatão apresenta cases de sucesso e recuperação ambiental

A vice-prefeita de Cubatão, Andrea Maria de Castro (MDB), marcou presença no encontro e participou do painel “Elas nos ODS”, que reuniu prefeitas e vice-prefeitas de todo o país que atuam fortemente no movimento ODS no Brasil. 

“Foi muito enriquecedor. Cada cidade apresentou seus cases de sucesso. Cubatão, é óbvio, falou da sua recuperação ambiental”, afirmou a vice-prefeita em entrevista.

Ela destacou que o município é reconhecido pela ONU como City Trees of the World pelo segundo ano consecutivo. “Hoje, somos uma cidade vale da vida. Somos reconhecidas pela ONU e, atualmente, somente 51 cidades em todo o país têm esse reconhecimento e esse título pela ONU”, completou Andrea. 

Além disso, ela anunciou que Cubatão sediará o segundo seminário das City Trees of the World entre os dias 19 e 22 de agosto, reunindo todas as cidades que possuem a certificação.

Ela também ressaltou a importância do ODS 5, que trata especificamente da igualdade de gênero.  “O déficit habitacional é eminentemente preto e feminino. As mulheres se encontram nas áreas de maior vulnerabilidade. Infelizmente, a gente vê a questão do feminicídio e da violência contra as mulheres”, alertou Andrea.

Por isso, ela defende que os ODS devem ser debatidos em todas as ações, não apenas no ODS 5, mas também na saúde e na educação da mulher. “O ODS 10 fala do emprego e trabalho decente. A gente também trabalha essa questão da empregabilidade da mulher, porque, cada vez mais, as mulheres são chefes de família”, explicou. 

Comunicação tem papel fundamental para engajar sociedade

Fábio Tatsubô, liderança do Núcleo MNODS-SP Baixada Santista e também responsável pela organização do evento, explicou a importância do encontro.

“Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são 17 objetivos e 169 metas para a gente concluir e alcançar até 2030. No entanto, apesar de as metas serem globais, as ações são locais. O Encontro das Cidades ODS é exatamente isso: a importância dos municípios e dos prefeitos nas ações que realmente vão impactar”, afirmou.

Segundo ele, o conjunto de ações individuais impacta o local, e o conjunto de ações locais impacta as metas globais. “Aqui nós tivemos representantes da Secretaria Geral da Presidência da República, prefeitos e prefeitas de outros territórios, secretarias de Estado, empresas portuárias, terceiro setor, pessoas com deficiência e até artesãs que utilizam material de descarte. Tudo isso mostra que os ODS começam em casa”, disse Tatsubô.

Ele também destacou um dado preocupante. Segundo a última pesquisa da ONU, realizada no ano passado, apenas 2% das pessoas sabem o que são os ODS e conseguem explicar o conceito. 

“O ODS traz essa nova prática: não é esperar o outro fazer o que eu estou fazendo para melhorar o ambiente onde eu estou. O ODS começa em casa, e a comunicação tem um papel fundamental para a gente engajar mais a sociedade”, concluiu.

Grupo GMG media painel sobre ODS nos territórios

O Grupo GMG, representante da Gazeta de SP e do Diário do Litoral, marcou presença no evento por meio do jornalista Hiram Baroli, que atuou como mediador do painel “Os ODS nos Territórios e Smart City”. 

A mesa contou com a participação do prefeito de Gravatal e da coordenadora do programa Polis, da Casa Civil do Paraná. Eles discutiram políticas públicas no estado e a inserção dos ODS nos municípios, reforçando, assim, a importância de levar a Agenda 2030 para cada vez mais cidades brasileiras.

“Mediar uma discussão sobre os ODS nos territórios e o conceito de Smart City é assumir a responsabilidade de conectar diferentes visões em torno de um objetivo comum: construir cidades mais humanas, sustentáveis e inteligentes. Estar nessa posição, neste evento, representa a oportunidade de estimular reflexões, promover o diálogo entre setores e transformar ideias em caminhos possíveis para o desenvolvimento real das comunidades”.