O município de Santos, junto de Araraquara, será um dos primeiros em todo o Estado de São Paulo a utilizar plasma para tratar pacientes que estejam nos primeiros dias da doença e apresentem sintomas iniciais da patologia. O tratamento, fruto de um estudo realizado pelo Instituto Butantan, tem como objetivo evitar que as pessoas que tenham contraído o vírus, e sejam suscetíveis a quadros mais perigosos, venham a desenvolver problemas mais graves e precisem ser internadas por dias ou semanas em um leito de Covid-19 na cidade.
O anúncio foi realizado durante o começo da tarde desta sexta-feira (26), no Palácio dos Bandeirantes, na Capital. A entrevista coletiva contou com a presença dos prefeitos de Santos e Araraquara, os dois primeiros municípios a serem beneficiados com a iniciativa. Ao longo das explicações, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, detalhou como seria feito este tipo de tratamento, fruto de pesquisas realizadas na própria instituição ao longo dos últimos meses.
“Plasma é a parte líquida do sangue, quando você o separa de seus componentes, você tem as células e aquela substância amarelada que é a parte líquida do sangue e é nesse plasma que se concentram os anticorpos. O objetivo do uso do plasma é transferir ao paciente, de maneira passiva, anticorpos, até que seu próprio organismo tenha tempo para montar sua resposta imune. Portanto, é um tratamento. Essa transfusão de plasma deve ser feita para pessoas que estão nos hospitais nas fases iniciais de manifestações clínicas da Covid e que têm chances de progredir, pessoas que tenham algum problema e provavelmente irão progredir. Então nesse momento, bem precocemente se transfunde o plasma que funciona como uma ‘vacina imediata’ e você transfere passivamente anticorpos contra o coronavírus esperando que isso melhores as condições do paciente enquanto ele responde pela sua imunidade particular”, afirma.
A coleta do plasma será feita em ao menos cinco instituições diferentes espalhadas entre a Capital do Estado e outras cidades do interior paulista. Em resumo, as pessoas poderão se cadastrar como doadoras em um formato similar a aquele já previsto em doações de sangue regulares, o que significa que aqueles que vierem a se predispor a realizar a coleta junto às equipes médicas, precisarão preencher alguns requisitos. As pessoas que quiserem se voluntariar para participar da hemorrede e doar precisam ter tido uma confirmação de infecção prévia com Sars-CoV-2 por meio de registros clínicos; intervalo de pelo menos 30 dias após a recuperação total da Covid; ter boas condições de saúde no momento da doação; ter entre 16 e 69 anos de idade; e pesar no mínimo, 50kg.
Todo o material será armazenado nos próprios locais de coleta, antes de serem enviados a Santos ou Araraquara para que venham a ser aplicados nos pacientes com Covid-19. A escolha de ambas cidades se deu devido, inicialmente, à explosão de casos e internações observadas nos dois municípios e também por causa do contato realizado pelos prefeitos de ambos locais junto ao Governo do Estado de São Paulo.
“O Governo de São Paulo sempre vem atuando de forma antecipada, lembrando a Coronavac desde o ano passado e agora pela ButanVac, além do soro e do tratamento de plasma e para nós é extremamente importante que uma região que, em poucas semanas, passou de 44% de ocupação de leitos a 95% ter mais um recurso. Temos um centro de atendimento e faremos o monitoramento de pessoas que apresentam sintomas ainda leves nas últimas 72 horas, como alguma dificuldade de respiração. Essas pessoas terão um oxímetro à disposição e faremos o monitoramento dessa pessoa, seja internada no hospital, ou não, e ela receberá esse soro. Existirão alguns critérios de prioridades, como pessoas com 60 anos, pessoas imunodeprimidas com outras doenças, ou pessoas com outras comorbidades”, conclui Rogério Santos.
