Cotidiano

Santos: Mar subiu 25 cm em 82 anos e ameaça os mais de 5 km de muretas clássicas da cidade

Município é apontado como um dos mais vulneráveis aos efeitos do aumento do nível do oceano e o bairro da Ponta da Praia é citado como o primeiro a sofrer

Jeferson Marques

Publicado em 13/03/2026 às 18:26

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Fotos de ressaca na Ponta da Praia / Nair Bueno - Diário do Litoral
Fotos de ressaca na Ponta da Praia / Nair Bueno - Diário do Litoral
Nair Bueno - Diário do Litoral
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Nair Bueno - Diário do Litoral
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Nair Bueno - Diário do Litoral
Nair Bueno - Diário do Litoral

Ressaca com fortes ondas atingem a orla da praia de Santos com violência / Nair Bueno/Diário do Litoral

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Se você caminha pela orla de Santos, já percebeu que as famosas muretas estão apanhando cada vez mais forte das ondas. O que parece ser apenas uma ressaca brava é, na verdade, um sinal de alerta científico grave sobre a saúde da nossa costa.

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Um estudo da UNIFESP com a Prefeitura de Santos, atualizado no Plano de Ação Climática de outubro de 2025, confirma o medo de muitos santistas. A Ponta da Praia é hoje o ponto mais vulnerável de todo o litoral paulista aos efeitos do clima.

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O Mareógrafo de Santos aponta, por sua vez, que o mar subiu 25 cm desde 1944. Segundo a USP, o avanço acelerou para 5 mm ao ano, corroendo a faixa de areia da orla. Até 2050, a NASA projeta que o nível suba mais 20 cm na costa santista.

A alta da maré trava o escoamento dos canais, o que agrava enchentes e ressacas fortes. Santos é hoje a cidade mais vulnerável ao impacto climático em todo o estado.

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Ponta da Praia

O bairro sofre com uma tempestade perfeita causada pela erosão acelerada, que fez a faixa de areia praticamente desaparecer em vários trechos. Sem essa proteção natural, o concreto das muretas fica exposto à força direta do mar e das correntes.

A proximidade com o Porto e a subida no nível médio do mar, registrada agora em 2026, agravam drasticamente o cenário local. Esse aumento é o suficiente para transformar qualquer maré alta em um pesadelo para o trânsito e para a infraestrutura.

Remédios

Os geobags instalados em 2018 ajudaram a segurar o impacto por um período, mas relatórios da Secretaria de Meio Ambiente publicados em 2026 indicam que eles são apenas um curativo paliativo. O mar continua avançando e exigindo soluções mais robustas.

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A nova aposta agora são as Soluções Baseadas na Natureza, que utilizam recifes artificiais para quebrar a energia da água ainda no fundo do mar. A ideia é reduzir a força do impacto antes que a onda alcance a calçada e destrua o patrimônio público.

Futuro

As projeções mais recentes do Climate Central colocam áreas da Ponta da Praia e da Zona Noroeste sob risco de inundações permanentes já em 2050. Sem intervenções pesadas agora, o cartão-postal mais famoso de Santos está em uma contagem regressiva perigosa.

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