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Santos é cidade brasileira que perde menos água por vazamentos e 'gatos'

Levantamento do Instituto Trata Brasil levou em conta as cem maiores cidades brasileiras em termos de população

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10 JUN 2019Por Caroline Souza15h01
Média nacional de perda de água potável foi de 38,3%Foto: Nair Bueno/DL

Santos é a cidade brasileira que perde menos água potável por vazamentos, 'gatos' e erros de leitura nos hidrômetros, conforme o novo estudo do Instituto Trata Brasil. Isso significa que o sistema de produção e distribuição da empresa operadora (Sabesp) é eficiente no município. O levantamento levou em conta as cem maiores cidades brasileiras em termos de população.

De acordo com o estudo, Santos possui níveis de perdas na distribuição menores que 15%, valores considerados ótimos pelo Instituto. O município perde apenas 14,32% de água. Na outra ponta, com a maior perda, está Porto Velho - RO (77,11%).

A média nacional de perda de água potável foi de 38,3%. Ou seja, para cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída, 38 litros ficam pelo caminho. O equivalente a mais de sete mil piscinas olímpicas por dia. A água que não chegou nas casas seria suficiente para abastecer 60 milhões de pessoas por um ano.

A Trata Brasil também levantou os índices de perda total de faturamento. Dos cem municípios considerados, apenas nove possuem níveis de perdas totais de faturamento iguais ou menores que 15%, valor usado como parâmetro ideal para esse indicador. Neste caso, Praia Grande aparece em 7º lugar (10,33%) e Santos em 10º (15,89%). No entanto, Praia Grande perde 34,32% da água potável pelos motivos mencionados.

Em termos financeiros, a perda de faturamento custou para o país R$ 11,3 bilhões, valor superior ao total de recursos investidos em água e esgotos no Brasil em 2017 (R$ 11 bilhões).

De acordo com a Sabesp, as grandes 'vilãs' no sistema de abastecimento de água da Baixada Santista são as ligações clandestinas e fraudes na medição, responsáveis por aproximadamente 70% do volume perdido na região. "Em geral, a maioria dos casos acontece em áreas sem a devida regularização fundiária, onde a companhia é impossibilitada por lei de atuar", esclareceu.

Para combater tais práticas, que aumentam junto ao crescimento das áreas irregulares, existem equipes especializadas (caça-fraudes) e equipamentos que dificultam ou até impedem as fraudes encontradas também em áreas nobres e empresas, o que configura crime, uma vez que se trata de furto de água. "Com isso, os municípios da Baixada Santista vêm reduzindo seus indicadores de perdas. É o caso de Santos e Praia Grande, destacados positivamente no estudo apresentado pelo Trata Brasil", completou.

A Sabesp informou ainda que mantém um trabalho permanente para controle e combate às perdas. "A empresa criou em 2007 o Programa Corporativo de Redução de Perdas de Água e investe na transferência de tecnologia japonesa por meio de contrato com a Jica, Agência de Cooperação Internacional do Japão. Este programa prevê a troca de ligações domiciliares, hidrômetros e redes de água, e também pesquisa de vazamentos não visíveis".

Cenário nacional

Essas perdas trazem impactos negativos para o meio ambiente, para a receita e para os custos de produção das empresas, onerando o sistema como um todo, e em última instância afetando todos os consumidores.

Para Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, o cenário nacional é preocupante. "As perdas de água são um sinônimo da eficiência do sistema de produção e distribuição das empresas operadoras. O aumento das perdas mostra que há um problema de gestão e que os investimentos na redução não vêm sendo suficientes para combater o problema. Mais preocupante é pensar que num momento de crise hídrica não será suficiente pedir para que a população economize água se as empresas continuarem perdendo bilhões de litros por deficiências diversas."

O levantamento do Instituto Trata Brasil foi feito com base nos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano base 2017.

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