Em um mundo de constante poluição sonora e esgotamento mental, a ciência parece ter encontrado o antídoto mais antigo da humanidade: o oceano.
Pesquisas recentes destacam que o contato com o chamado ‘Espaço Azul‘ (ambientes aquáticos) gera benefícios neurológicos que vão muito além do simples lazer.
O estímulo dos sentidos e a rede de repouso
O impacto positivo do mar no cérebro começa pela simplificação sensorial. Enquanto as cidades bombardeiam com estímulos visuais e sonoros caóticos, o ambiente marinho oferece alguns benefícios:
- Som das ondas é leve e relaxante, o que ajuda o cérebro a entrar em um estado de relaxamento profundo
- Observar o horizonte marinho exige pouco esforço cognitivo, permitindo que o cérebro descanse e se recupere do estresse acumulado

Benefícios químicos e fisiológicos
Uma reportagem da National Geographic ainda enfatiza que a saúde cerebral na praia também é uma questão de biofísica.
O ar marinho é rico em íons negativos, que auxiliam na absorção de oxigênio e no equilíbrio dos níveis de serotonina, o neurotransmissor do bem-estar.
A exposição solar moderada e a luz natural ajudam a regular o sono, fator crítico para a limpeza das toxinas cerebrais que ocorrem durante a noite.
Estudos indicam que pessoas que vivem perto ou frequentam o mar apresentam níveis significativamente menores de cortisol, o hormônio do estresse crônico.
Mar e medicina lado a lado
Ainda segundo a National Geographic, pesquisadores em 1984 já realizaram testes com pacientes pós-operatórios que estavam em quartos de hospital com vista para espaços naturais, e tendiam a ter internações mais curtas e agradáveis do que aqueles cujos quartos davam para uma parede de tijolos.

Em uma pesquisa do surfista e psicólogo ambiental Mat White, foi constatado que os seres humanos se sentem bem majoritariamente em ambientes azuis que retratam algum tipo de elemento aquático.
Dados da pesquisa de White indicam que mais de 4 mil entrevistados na Inglaterra tendiam a escolher as paisagens do litoral para restaurar os sentimentos estressantes, do que as paisagens montanhosas e florestais.
Crescimento nas cidades litorâneas
Para suportar o processo puxado do dia a dia, as pessoas estão escolhendo morar perto do oceano e longe das responsabilidades a fim de melhorar o estado físico e mental.
Consultorias imobiliárias mostram que a procura por imóveis em cidades litorâneas num raio de até 100km a 150km de grandes metrópoles subiu mais de 40% desde 2020.

O principal motor desse dado não foi apenas a praia, mas a chegada da fibra óptica e do 5G nas cidades do litoral, permitindo que certos profissionais mantivessem seus empregos nas capitais e morassem em cidades beira-mar.
Nem tudo são flores
Apesar dos diversos pontos positivos citados na reportagem acima, o custo de vida para viver em cidades litorâneas está aumentando constantemente.
No litoral de Santa Catarina, Balneário Camboriú e Itapema detém hoje o metro quadrado mais caro do Brasil, superando capitais como São Paulo e Rio de Janeiro.
Já cidades do litoral paulista, como Praia Grande, Guarujá e Bertioga figuram entre os municípios com o IPTU mais caro do Brasil, com destaque para Bertioga, com um valor de R$1.053,59 por metro quadrado, ocupando a segunda posição de cidade com o maior valor do tributo.
