Santistas relembram seus momentos na cidade que amam

Há 464 anos era fundada a cidade que ao longo dos séculos tornou-se um presente para os que aqui nascem e residem

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19 JAN 201319h44

Santos comemora 464 anos de fundação nesta terça-feira, dia 26 de janeiro. A cidade do porto, do apogeu e queda da Bolsa Oficial do Café, e do maior jardim de praia do mundo está no coração dos santistas nascidos e não nascidos que relembram com emoção as lembranças de áureos tempos.

Joaquim Tavares é português, oriundo da Cidade do Porto, mas foi em Santos que construiu sua vida, junto com sua esposa e companheira de toda a vida Maria Isabel Fernandes Tavares.

Há 48 anos, o casal mantêm uma banca de jornais e revistas, na Praça Mauá, onde testemunharam fatos marcantes da Cidade, com o passar das décadas. Sr. Joaquim, como é conhecido no Centro de Santos, lembra a visita do presidente da República, general Ernesto Geisel, à Prefeitura, nos anos 60. “Foi uma movimentação aqui”, comenta.

Sr. Joaquim rememora com saudade de movimentos sindicais nas décadas de 1960 e 1970, que agitavam a Praça Mauá. Época que representou anos dourados para o seu negócio. “Eu vendia muitos jornais nessa época. Os doqueiros ganhavam bem, vinham aqui pra Praça e levavam pelo menos dois jornais cada um. Hoje não vendemos tanto assim. A Praça vivia cheia de gente”.

Ao avistar o bonde turístico que passa em frente à sua banca, localizada na rua General Câmara, na esquina com a rua D. Pedro II, Sr. Joaquim embarca em uma viagem ao tempo da década de 1960. “A minha banca ficava no ponto do bonde 4, onde está o abrigo dos bondes de hoje. Três desses bondes que chegaram vieram da minha terra, Portugal”.

“Eu tenho orgulho de ser jornaleiro e gosto da cidade de Santos. Muita gente pede informações aqui na minha banca e eu gosto disso”, afirmou Sr. Joaquim ao lado de sua esposa. “Eu gosto bastante de Santos. Nasci aqui, aqui eu trabalhei e construí minha família”, declara o corretor de navios Sérgio Eduardo dos Santos, de 72 anos.

A filha de Sérgio, a pedagoga Nádia dos Santos, lembra com saudade do tempo de escola em que tomava os bondes 73 e 42 para passear na Cidade. “Era uma delícia. A gente saía da escola e pegava o bonde junto com os meninos do (colégio) Santista. Era só alegria no bonde. E tinha o Pai Davi, um cobrador do bonde que era muito bonzinho para nós”, afirma Nádia que nasceu em Santos, mas há sete anos mora em Itatiba, no interior de São Paulo. “Eu venho sempre porque tenho saudade do meu pai e da terrinha também!”.

“Não tem coisa mais linda que Santos”, declara a dona de casa Elza Silva Brandão, de 72 anos, que mora em Santos desde os 9 anos de idade. Natural de Ubatuba, no litoral norte, Elza adotou Santos como sua cidade, onde constituiu sua família. Ela é mãe de cinco filhos, tem 11 netos e seis bisnetos.

Mas, Santos também é a terra da esperança. “O meu sonho é ter minha casa própria”, diz a dona de casa Josefa Isabel da Conceição Ferreira, que veio do Piauí para Santos aos 17 anos, e hoje, aos 59, é mãe de quatro filhos.

Maria de Lourdes mora em São Vicente, no entanto confessa que se pudesse moraria em Santos, onde trabalha há 18 anos. “Sou costureira da Santa Casa. Minha vida é toda em Santos. Estou de férias e resolvendo minhas coisas aqui no Centro hoje”, afirma Lourdes que estava acompanhada de seu neto de 4 anos. No aniversário da Cidade Lourdes congratula: “Meus parabéns, Santos!”