Santista é a primeira comentarista mulher de Rainbow Six Siege no mundo

Victória “Viic” Rodrigues é a novidade nas transmissões de esports da Ubisoft Brasil

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07 NOV 2019Por Da Reportagem17h01
Victoria “Viic” Rodrigues (dir.) durante o evento Greenk Tech ShowFoto: Arquivo Pessoal

Os esports ganharão uma nova voz a partir deste mês. A caster Victória de Sá e Santos Rodrigues, natural de Santos, é a mais nova comentarista nas transmissões oficiais de Rainbow Six Siege, jogo de ação e estratégia da Ubisoft. Ela é a primeira mulher a exercer a função no cenário competitivo da modalidade e fará a sua estreia nos dias 9 e 10 de novembro nas finais mundiais da Pro League.

Viic, como é conhecida pela comunidade de Rainbow Six Siege, se juntará ao time formado por André “Meligeni”, Otávio “Retalha” e Ricardo “qeP” na cobertura do torneio disputado em Tokoname, no Japão, que vai reunir as melhores equipes do cenário profissional no mundo. Entre elas, duas brasileiras: Ninjas in Pyjamas e FaZe Clan.

Natural de Santos-SP, a comentarista de 24 anos é jornalista por formação e figura conhecida entre o público que acompanha ativamente o cenário. A sua carreira como comentarista começou em 2017, quando recebeu o seu primeiro convite para participar de uma transmissão de Rainbow Six Siege.

“Eu já cobria campeonatos de R6 em um portal e fui convidada para participar da primeira Superliga Feminina de Rainbow Six. Inicialmente, fui trabalhar no staff. No entanto, a organização havia fechado com duas casters que desistiram uma semana antes. Foi aí que me chamaram para ser comentarista por saberem que eu entendia do jogo. A ideia era que eu participasse apenas das primeiras rodadas, mas acabei ficando o torneio inteiro. Depois disso, a minha ficha caiu e percebi que poderia transformar a minha paixão em profissão”, conta.

O contato com os jogos eletrônicos, no entanto, se deu bem mais cedo. Desde a infância, Viic alimenta o amor por videogames, que a fez se interessar pelos esports. Ela diz que conheceu o Rainbow Six Siege por meio de dois amigos que compraram o título da Ubisoft e rapidamente ficaram vidrados.

“O R6 tem esse poder sobre nós”, brinca. “Eles incentivaram a mim e outro amigo a comprarmos. Jogamos juntos e até hoje temos o nosso clã”, completa.

Enquanto usava o tempo livre para se dedicar à carreira de caster, Viic trabalhou como analista de comunicação, sempre com os pés no chão: “Os esports para mim eram um sonho. Eu falava que levaria meus dois empregos até o momento em que teria que abdicar dos esportes eletrônicos ou então viver deles. E foi exatamente isso que aconteceu graças ao convite da Ubisoft”.

Como comentarista de Rainbow Six Siege, ela já participou da transmissão de diversos torneios menores como a Série B do Brasileirão, qualificatórias para Major e Minor. Viic diz que não acreditou quando recebeu a proposta para integrar a equipe principal.


“Fiquei sem reação. Não achava que entraria tão rapidamente na equipe oficial. Demorou muito para a ficha cair, porque as coisas aconteceram de uma forma muito natural e rápida. Fui chamada para comentar diversos campeonatos e não parei para pensar na repercussão disso tudo. O convite me mostrou que de fato estavam observando o meu trabalho. Foi um sentimento de que meu sonho foi realizado”, resume Victória.

O fato de ser a primeira comentarista do cenário competitivo no mundo não tem grande impacto sobre ela. Porém, Viic espera poder abrir portas para novas profissionais no ramo: “Fico feliz de representar as mulheres nesta área, pois é um espaço que estamos galgando. Não ligo de ser a primeira, mas não quero ser a única”.

“Temos que parar de definir um bom profissional pelo gênero e sim pela competência. É muito importante termos mulheres buscando esse espaço para nos acostumarmos cada vez mais. Neste ponto, o suporte dado pela Ubisoft Brasil é sensacional. As etapas do Circuito Feminino estão aí cada vez mais frequentes e é importantíssimo para mostrar o talento destas jogadoras”, analisa. “Sei que é difícil e, ainda mais sendo mulher, passamos por muitas coisas. Até hoje ainda sofro a rejeição de algumas pessoas, mas tenho consciência de que é impossível agradar a todos”, completa.

Viic afirma que o caminho para quem quer seguir a carreira nos esports não é fácil. Para ela, é preciso investir corpo e alma e saber que será preciso abdicar de muitas coisas para atingir seu objetivo. Enquanto trabalhava como analista e usava o tempo extra para comentar jogos de Rainbow Six Siege, ela deixou de ficar com a família e com os amigos e “esqueceu” o cansaço físico e mental.

“A melhor dica que posso dar é: não desista. Passei por um momento em que diversas coisas aconteceram na minha vida e até pensei em parar e focar no que era ‘palpável’. Mas, por algo do destino, aceitei comentar um campeonato e aquele torneio abriu portas para tudo que aconteceu na minha carreira nos esports. Sempre foi o meu sonho e fui atrás dele. Estou feliz que consegui”, comemora.

Agora, a caster da Baixada Santista se prepara para a estreia nas finais mundiais da Rainbow Six Pro League, um dos torneios mais importantes da modalidade. Além do preparo vocal e das sessões com sua fonoaudióloga, Viic está estudando os times que se classificaram e assistindo a diversos jogos: “Ainda não sei muito bem o que esperar, mas vou me esforçar para que gostem do meu trabalho. Já tenho o feedback de campeonatos menores, mas agora que estarei oficialmente no time acho que as coisas mudam de figura”.

Para o próximo ano, Viic quer se profissionalizar ainda mais: “Quero começar um curso de locução, melhorar a minha voz e ter mais tempo para estudar e me dedicar exclusivamente ao jogo. Devo tudo isso à Ubisoft e ao público”.