A Diretoria do Sintius está se reunindo com a direção da Sabesp / Divulgação/Sabesp
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O Sindicato dos Urbanitários (Sintius) acionou o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) contra a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na Baixada Santista, pela demissão de seis trabalhadores do setor operacional, mas outras devem ocorrer nos próximos dias.
Para o Sindicato, em um cenário de crescentes reclamações por falta de água e insatisfação popular com a qualidade dos serviços ofertados pela empresa que foi privatizada há um ano, a ação caracteriza uma demissão em massa.
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Além das demissões, o Sindicato revela outras que afetam diretamente à categoria, como a ausência de investimentos na área de segurança, práticas de assédio moral e antissindicais.
A Diretoria do Sintius está se reunindo com a direção da Sabesp e uma assembleia já foi realizada na sede do Sindicato (Rua São Paulo, 24/26, Vila Mathias), para a categoria deliberar sobre a deflagração de uma greve, por tempo indeterminado, em razão dessa onda de demissões.
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O presidente do Sintius, Tanivaldo Monteiro Dantas, explicou que a Diretoria tem recebido relatos de funcionários sob pressão psicológica e assédio moral para aderirem aos programas de demissão voluntária (PDVs), sob ameaça de dispensa arbitrária.
“Os trabalhadores estão sendo coagidos a abrir mão de seus empregos. É um assédio institucionalizado que pretende reduzir o quadro de pessoal a qualquer custo, sem se importar com a dignidade humana e com a qualidade do serviço prestado à população”, afirmou.
Além de não seguir as normas trabalhistas, Tanivaldo explicou que a Sabesp está descumprindo a Lei Estadual 17.853/2023, que garantiu 18 meses de estabilidade a todos os trabalhadores ativos à época da privatização.
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Esse prazo é contado a partir da efetiva conclusão do processo de privatização da companhia, ou seja, a partir de julho do ano passado.
Outro efeito negativo do processo de privatização é a falta de investimento no setor de segurança nas estações de tratamento de água (ETAs) e de esgoto (ETEs), deixando os funcionários à mercê da própria sorte. “Se a segurança das próprias unidades está ameaçada, imaginem os riscos para os trabalhadores e para a população?”, indagou.
O dirigente sindical chamou a atenção para o fato que, ao longo dos últimos meses e de forma gradual, empregados com muita experiência e qualificação deixaram a empresa e estão sendo substituídos por mão de obra terceirizada sem o preparo profissional adequado e com remunerações inferiores.
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“A imprensa regional divulga praticamente todos os dias problemas de falta de água na Baixada Santista. Esse é assunto recorrente nas câmaras municipais. O povo está pagando mais caro por um serviço que piorou. Privatizaram a água e o esgoto, mas quem está arcando com a conta é a população”, ressaltou Tanivaldo.
Um dos trabalhadores da Sabesp demitidos dia 21 é dirigente do Sintius em pleno exercício do mandato, o que representa um ataque frontal à instituição e à livre organização da categoria.
“A Constituição Federal e convenções internacionais asseguram a estabilidade de emprego aos dirigentes sindicais. Trata-se de uma arbitrariedade e uma clara retaliação à nossa luta em defesa dos interesses dos companheiros da Sabesp, que exigem respeito e melhores condições de trabalho e segurança para desempenharem suas funções”, frisou.
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Procurada, a Sabesp informa que está passando por um processo de transformação com foco em eficiência, valorização das pessoas e preparação para os desafios do futuro.
Os desligamentos que ocorreram foram parte deste processo. Esse movimento integra a nova estratégia da Sabesp, que tem como compromisso a universalização do saneamento com qualidade, inovação e sustentabilidade.
Dentro da iniciativa, um dos grandes marcos foi o lançamento do programa Sabesp Gente, em dezembro de 2024, que fortalece a valorização dos profissionais e promove oportunidade tanto para talentos internos quanto para novos perfis do mercado.
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No último ano, parte relevante dos profissionais que deixaram de trabalhar na empresa aderiu aos Programas de Demissão Voluntária, lançados entre o fim de 2024 e o começo de 2025.
Esta foi uma opção dada a esses profissionais, que já estavam há vários anos no quadro da empresa. A maioria, contudo, optou por permanecer por acreditar no novo projeto.
Além disso, os investimentos da Companhia continuam gerando empregos e renda para a população. No primeiro semestre de 2025, já foram 7,5 mil empregos diretos gerados apenas na frente de obras até esse momento de 2025, com estimativa de geração de 40 mil empregos diretos e indiretos nos próximos dois anos.
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