Rua do Peixe: MP não pede a retirada de comerciantes

Comerciantes afirmam que dormiram na rua de sábado para domingo com medo de possíveis retiradas de materiais e mercadorias por parte da Prefeitura de Santos

Não parte do Ministério Público a decisão de retirar os comerciantes da Rua Áureo Gonzalez de Conde (Rua do Peixe). Enquanto a Administração alega que a desocupação foi definida com base na ação movida pela Promotoria do Meio Ambiente em 1994, o MP afirma que apenas elencou medidas de ­regularização que deveriam ser tomadas, mediante aplicação de multa ao Município.  Enquanto aguardam uma definição, dezenas de trabalhadores não abriram os boxes na manhã de ontem.

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“A sentença não fala que os comerciantes devem sair e sim lista uma série de medidas ambientais com base na própria vigilância sanitária que devem ser tomadas para garantir a continuidade dos serviços de forma correta. Encerrar ou não as atividades é uma decisão da Prefeitura”, destaca o promotor de Justiça de Santos, Fernando Akaoui.

Após reunião com representantes dos comerciantes, a Prefeitura Municipal de Santos protocolou na Justiça, na tarde de ontem, um pedido formal, com urgência, para suspender por 90 dias a remoção das ­barracas do local. O objetivo da extensão do prazo é tentar encontrar alternativas para realocar os trabalhadores, que não aceitaram oferta feita pela Prefeitura para transferirem os boxes para o Mercado Municipal, na Vila Nova, após as adequações realizadas no espaço. O juiz Márcio Kammer, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Santos, já despachou o processo e pediu que o Ministério Público se posicionasse, o que deve ocorrer hoje. Por conta disso, a Prefeitura aguarda a decisão para decidir as providências que tomará sobre o caso.

“Estamos aguardando um parecer definitivo sobre o que fazer. Já estamos acumulando prejuízo, pois a mercadoria não está circulando e precisamos pagar os pescadores. Colocaram carros da Prefeitura, carros da Guarda Municipal e até um trator para nos intimidar. É um absurdo”, afirma a comerciante Jurema do ­Nascimento.

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De acordo com José Roberto, permissionário há 13 anos, a Administração também determinou o desligamento da luz e da energia elétrica do espaço. “Dormimos aqui de sábado para domingo em vigília, pois disseram que iriam retirar as mercadorias. É uma tortura psicológica isso que estão fazendo com a gente”, afirma.

Mudanças

A Prefeitura de Santos chegou a ofertar aos comerciantes a mudança para o Mercado Municipal, após adaptações no local, mas não houve interesse pela ­transferência.

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Outra proposta seria a unificação da Rua e do Mercado do Peixe no Terminal Público Pesqueiro (TPPS), em cessão onerosa, permitindo o uso comercial do espaço. A Administração apresentou um esboço de projeto do local, no entanto, a área ainda pertence a União e não houve a formalização de cessão.

Em nota, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão destacou que a União já passou para a Administração Municipal a parte superior da área. A ­destinação da parte inferior do terminal pesqueiro, onde poderão ser acomodados a Rua e o Mercado do Peixe, ainda está em análise, com tratativas em andamento junto a representantes da Administração Pública Federal.