Rogério Chequer: 'Quero a ascensão social sustentável dos paulistas'

Ele é um ex-líder do Vem Pra Rua e pretende ser governador do Estado de São Paulo pelo ­partido Novo

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03 SET 2018Por Carlos Ratton10h40
Em entrevista ao Diário, Rogério Chequer disse que sua principal meta, caso vença as eleições, é enxugar a máquina administrativaEm entrevista ao Diário, Rogério Chequer disse que sua principal meta, caso vença as eleições, é enxugar a máquina administrativaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Ele é um ex-líder do Vem Pra Rua e pretende ser governador do Estado de São Paulo pelo ­partido Novo. Em entrevista ao Diário, Rogério Chequer disse que sua principal meta, caso vença as eleições, é enxugar a máquina administrativa, ­combater a vela política, ­transformar o Palácio dos ­Bandeirantes num equipamento de serviços e promover a ascensão social sustentável dos paulistas. Confira os melhores trechos.

Diário do Litoral – Por que o Governo de São Paulo?
Rogério Chequer –
Por causa do impacto que é possível trazer para uma administração eficiente. Estamos há 24 anos sendo governados pelo mesmo partido (PSDB), que não conseguiu oferecer serviços, saúde e educação eficientes. Eu não me conformo com o nível de serviços no estado que tem R$ 220 bilhões anuais no orçamento. Foi construída uma máquina gigantesca, de 87 entidades que se reportam diretamente ao governador e que servem de barganha, de instrumento de troca, de pagamento de dívidas eleitorais. 

Diário – Tenho a informação que são 400 funcionários só no Palácio dos Bandeirantes. É isso?
Chequer –
Não sei disso, mas garanto que sei quantos não estarão mais lá se eu for eleito. Eu não vou morar no Palácio. Vou promover atividades fora dele. Tem coisa que eu pretendo fazer e outras que garanto fazer. Acho uma falta de respeito as promessas em todos os níveis. A máquina tem 1,055 mil funcionários, sendo que menos da metade está ativa. E estamos pagando por tudo isso.

Diário – Dá brigar com Paulo Skaf, João Dória e Márcio França?
Chequer – Temos que mudar a realidade. Todos esses nomes são personagens da velha política, de coligações não por alinhamento de princípios, mas por um tempo maior de televisão, para enganar mais pessoas desavisadas. As pesquisas não mostram que 90% das pessoas, sem uma lista, não sabem sequer os nomes dos candidatos. As pessoas estão envergonhadas admitir isso. 

Diário – Mas Dória se intitula gestor e não político? 
Chequer - Dória prestou um enorme desserviço à renovação política porque, ao pintar algo que é velho de novo, confundiu os eleitores. Ele é um gestor da velha política e suas coligações vão tirar o seu futuro mandato. Nem que ele queira vai cumprir o que está prometendo. Seu principal objetivo é a Presidência da República. Ele não vai poder comprar as batalhas com as minorias que ele terá que desagradar no Estado. 


Diário – O que o Estado precisa urgentemente?
Chequer – Oferecer ascensão social sustentável ao paulista. Melhores serviços para que os cidadãos, ai sim, possam ter um mérito na vida. Hoje, se a pessoa não tem educação, saúde e transporte de qualidade, fica difícil sair da situação de origem. Não se pode falar em meritocracia quando as pessoas se encontram em níveis desiguais. As pessoas precisam ter as mesmas possibilidades na largada. Temos que elevar o acesso às oportunidades. Para isso, terei seis focos de atuação: educação, saúde, segurança, habitação, transporte e saneamento básico. Todos os recursos têm que ser canalizados para eles e tirados das alianças políticas, nomeação de cargos por interesses políticos, por pagamento de dívidas de campanha, de coligações, por montagem de base eleitoral. O Márcio França trocou 14 secretários assim que assumiu o governo. Foi por incompetência deles ou por acomodação política? Isso deveria acarretar um impeachment. 

Diário – Você é a favor de parcerias entre Estado e o setor privado?
Chequer – Nossas parcerias serão com os municípios, com a Federação, com a sociedade civil organizada, iniciativa privada e indivíduos. Vamos atuar principalmente onde houver superposição de responsabilidades entre Estado e Município, como nas áreas de Educação e Segurança, por exemplo. A guardas municipais devem ser armadas. Iluminação pública, buracos de rua, lixo e bares clandestinos tem influência na segurança e impactam na criminalidade. A Saúde precisa de parceiros mais eficientes e de um controle melhor pelo Estado. Sou a favor da descentralização e em dar mais poderes aos municípios. A ponte entre Santos e Guarujá tem que ser construída urgentemente. 

Diário – Você é a favor que universidades estaduais cobrem mensalidades?
Chequer – Sou a favor de manter gratuita para quem não pode pagar e cobrar de quem pode. Sou a favor de mantermos as cotas, da construção de um Estado que, no futuro, elas não sejam mais necessárias. Hoje, diante das desigualdades geradas pelos absurdos da velha política, ainda precisamos de cotas. 

Diário – O candidato à Presidência de seu partido, João Amoêdo, diz que o Estado não deve interferir nas empresas que pagam salários menores para as mulheres com cargos iguais ao de homens.
Chequer – O Estado deve se posicionar em relação a todas as realidades de camadas que tem dificuldades de inserção social e no mercado de trabalho. Infelizmente, não só as mulheres têm tratamento diferenciado. Temos na questão de gênero, cor de pele, renda, enfim, uma série de preconceitos em vários segmentos e o Estado tem que promover a igualdade se quiser dignificar o ser humano. Não é difícil pegar uma parte dos ganhos da nação para ajudar os que mais precisam. 

Diário – Você é a favor de plebiscitos?
Chequer – A velha política não gosta de consultar a população. Quando você informa, você conscientiza. Sou a favor, inclusive, do uso de aplicativos para consultas técnicas. A população é desinformada porque interessa às velhas práticas.