O planejamento de atuação, discutido nesta semana, estabeleceu protocolos rígidos para evitar desastres / Divulgação/PMSP
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A estreia histórica de Ivete Sangalo no Carnaval de rua de São Paulo, marcada para este sábado (7), gerou um clima de tensão entre as forças de segurança e a prefeitura. A Polícia Militar manifestou séria preocupação com o risco de superlotação e possíveis tragédias no circuito da Avenida Pedro Álvares Cabral, no Ibirapuera.
O impasse central reside na capacidade de público do local: enquanto a SPTuris cita um número não exato de 280 mil pessoas, a PM trabalha com a hipótese de um contingente muito superior, capaz de provocar o estouro de tapumes e linhas de contenção.
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O planejamento de atuação, discutido nesta semana, estabeleceu protocolos rígidos para evitar desastres.
A polícia determinou que o trio elétrico da cantora baiana não pode realizar paradas no trecho estreito em frente à sede da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), área classificada como um "funil" crítico.
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Caso o público exceda o limite de segurança, a PM adotou uma estratégia de quatro estágios de liberação de espaço, sendo a abertura dos portões do Parque do Ibirapuera — atualmente privatizado — a última alternativa para escoar a multidão e evitar o esmagamento.
A divergência entre as instituições também envolve a infraestrutura e a programação. A PM solicitou reforço no número de gradis para o controle de acesso, pedido negado pela SPTuris sob justificativa de limitações contratuais; o material acabou sendo providenciado pela própria equipe da artista.
Além disso, a montagem de um parque aquático temático próximo ao Obelisco foi duramente criticada pela polícia, que alega que as filas e a estrutura devem obstruir a entrada e saída dos foliões, elevando o risco em situações de pânico.
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Outro ponto de atrito é o acúmulo de grandes atrações no mesmo circuito. Além de Ivete Sangalo pela manhã, o Ibirapuera receberá os blocos de Mariana Aydar e Alceu Valença no período da tarde.
Em reuniões anteriores, a Polícia Militar desaconselhou "fortemente" a realização de três megablocos no mesmo dia e local, citando que o consenso em carnavais passados era de que tal operação seria inviável.
A prefeitura, no entanto, manteve a grade sob o argumento de que não há outro local na cidade com suporte para acolher eventos desta magnitude.
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Para tentar mitigar os riscos, a prefeitura anunciou um aumento de 20% no efetivo da Guarda Civil Metropolitana, totalizando mais de 6 mil agentes. O acesso ao circuito será controlado por revistas realizadas por seguranças privados com apoio da GCM e PM.
A logística para o sábado prevê a chegada de Ivete escoltada pela Tropa de Choque por volta das 8h30, enquanto os bloqueios de trânsito pela CET começam na madrugada, às 3h.
A estratégia de encerramento também será rigorosa. Às 18h, um cordão de dispersão formado por um batalhão de forças de segurança e equipes de varrição iniciará o movimento de "empurrar" os foliões para fora do circuito.
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Apesar dos alertas da PM, a gestão municipal defende que a operação no Ibirapuera é consolidada e que a infraestrutura está preparada para o recorde de 627 blocos que desfilam na capital em 2026.