Risco de seca em rios de São Paulo acende alerta máximo nas cidades do litoral

Novo estudo técnico alerta para a severa ameaça de seca em dezenas de rios de São Paulo e projetos de recuperação na costa demandam investimentos milionários

A pesquisa aponta problemas críticos nos leitos e nas margens dos rios / Prefeitura de Alumínio/Divulgação

O fantasma da escassez hídrica volta a assombrar o estado de São Paulo, e o litoral não escapa dessa preocupação. Um estudo da Agência de Águas do Estado de São Paulo identificou um número alarmante: 43 mananciais estão sob risco severo de ficar sem água no futuro. 

As cidades litorâneas, como Caraguatatuba, estão diretamente na mira dessa possível crise no abastecimento, assim como diversas localidades espalhadas pelo interior.

A pesquisa aponta problemas críticos nos leitos e nas margens, identificando a necessidade urgente de obras pesadas contra a erosão, perda de matas ciliares e o assoreamento acelerado. 

A chegada iminente do fenômeno climático Super El Niño nos próximos meses intensifica o cenário pessimista. 

Esse evento global provoca o aumento das temperaturas e altera o regime de chuvas, elevando a evaporação nos reservatórios estaduais e promovendo períodos bem mais longos de estresse hídrico.

O diagnóstico e o custo das ações

Os técnicos do estado realizaram o amplo estudo por meio do Projeto Mananciais, vinculado ao Programa Rios Vivos. 

A avaliação técnica mapeou os problemas e estimou um custo colossal para a implantação de todos os projetos de salvação na faixa de R$ 1,4 bilhão. 

O pesquisador e diretor da Política e Planejamento Ambiental, Ivan Carlos Maglio, alerta que a situação ultrapassa a esfera ambiental e se trata de uma questão central de segurança hídrica, saúde pública, desenvolvimento econômico e adaptação climática.

O especialista ainda demonstra profunda preocupação com a execução prática do plano. Maglio enfatiza que o grande risco atual envolve a produção de excelentes diagnósticos que acabem estritamente condicionados à capacidade financeira e administrativa de cada município para saírem do papel.

  • O governo paulista já injetou R$ 7,7 milhões no desenvolvimento dos diagnósticos e projetos.
  • A elaboração aponta a necessidade de recuperar 393 hectares com plantio de mata nativa.
  • O programa planeja o plantio massivo de mais de 600 mil mudas de diferentes árvores.
  • A ação governamental beneficiará o fornecimento de água de cerca de 2 milhões de habitantes paulistas.

A situação dos rios do litoral e sul do estado

Os especialistas dividiram os rios avaliados em eixos de atuação. Especificamente no Eixo Sul e Litoral, a lista de mananciais ameaçados requer um investimento estimado em R$ 867 milhões. 

Essa enorme quantia financeira visa garantir a proteção das bacias hidrográficas e a manutenção do volume de água para o consumo diário da população local.

A relação de cursos d’água do Eixo Sul e Litoral ameaçados inclui:

  • Rio do Peixe: R$ 243,8 milhões
  • Rio Pardo: R$ 209 milhões
  • Rio Una: R$ 108,5 milhões
  • Ribeirão Santo Anastácio: R$ 93,8 milhões
  • Ribeirão Vermelho: R$ 81,7 milhões
  • Ribeirão do Alegre: R$ 32,3 milhões
  • Ribeirão Vermelho: R$ 24,7 milhões
  • Córrego do Negrinho: R$ 22,4 milhões
  • Córrego do Barreiro: R$ 13,7 milhões
  • Ribeirão do Fojo: R$ 6,7 milhões
  • Rio Batedor: R$ 5,4 milhões
  • Córrego da Água Fria: R$ 4,8 milhões
  • Rio Claro: R$ 4,5 milhões
  • Ribeirão Azul: R$ 4 milhões
  • Ribeirão do Godinho: R$ 3,9 milhões
  • Rio da Prata: R$ 3,8 milhões
  • Ribeirão das Tocas: R$ 3,7 milhões

Execução e custeio das obras

Apesar de o órgão paulista apresentar as soluções técnicas necessárias, a agência SP Águas não custeará a implementação das medidas físicas. 

Desse modo, o município interessado deverá buscar o dinheiro para realizar as intervenções hídricas e garantir o abastecimento seguro dos seus bairros. 

A captação do dinheiro pode ocorrer utilizando o orçamento próprio, na busca por convênios com parceiros, com financiamentos oficiais ou na formação de parcerias locais estratégicas com diferentes instituições. 

As administrações municipais podem executar todo o plano gradualmente de acordo com as necessidades e a disponibilidade de recursos.