Ricardo Trípoli: 'Só constrói futuro, quem teve passado'

O deputado federal pelo PSDB Ricardo Trípoli pleiteia, pela primeira vez, uma vaga ao Senado

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17 AGO 2018Por Carlos Ratton11h20
O deputado federal pelo PSDB Ricardo Trípoli pleiteia, pela primeira vez, uma vaga ao SenadoO deputado federal pelo PSDB Ricardo Trípoli pleiteia, pela primeira vez, uma vaga ao SenadoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Ambientalista ferrenho, responsável pelo Política Estadual do Meio Ambiente, o Projeto São Paulo Pomar e o Código Estadual de Proteção aos Animais (Lei 11.977), conhecido como Lei Trípoli de Proteção Animal, o deputado federal pelo PSDB Ricardo Trípoli pleiteia, pela primeira vez, uma vaga ao Senado. Para ele, é preciso rever o pacto federativo e apostar em nomes que deem estabilidade ao País.    

Diário do Litoral – O PSDB chegou a questionar sua candidatura. Isso ficou resolvido ­internamente?

Ricardo Trípoli – Eu já disputei duas previas e os espaços têm que ser disputados. Eu juntei assinaturas de 700 delegados e protocolei a minha candidatura e tive apoio de governador Geraldo Alckmin. Já estou em campanha. 

Diário – A questão do Aécio Neves fragilizou o partido?

Trípoli – Posso falar como vice-presidente nacional do PSDB que o partido não passa a mão na cabeça de ninguém. Quando tem denúncia, apura-se, com direito a defesa. Se for absolvido, vamos bater palmas. Se condenado, cumpra-se pena. Ele cometeu um erro e a Justiça está apurando. O Geraldo Alckmin esteve prestando esclarecimentos ontem (quarta-feira) ao Ministério Público. O PT costuma dizer que todos são iguais e nós (PSDB) temos uma diferença grande deles (PT). 

Diário – A aproximação com o centrão está desgastando a campanha de Alckmin à ­presidência?

Trípoli – Temos uma regra muito clara: é preciso fazer coligações para fazer campanha. O Congresso tem 81 senadores e 513 deputados federais. Alckmin já disse que, se eleito, no primeiro mês governo, pautar a reforma tributária, a da previdência e a política. Para aprovar isso, é preciso ter maioria no Congresso e legitimidade de votos. Portanto, o centrão não vai atrapalhar, porque os partidos que o compõem é que aderiram ao programa de governo do Alckmin. 

Diário – Quais serão suas prioridades no Senado?

Trípoli – O Estado de São Paulo não vem sendo atendido à altura, principalmente quando o PT mantinha dois senadores. Existe uma questão crônica e injusta. Em 2017, o Estado arrecadou R$ 511 bilhões em impostos federais e obteve menos de 6% dessa quantia de retorno. Santos arrecadou R$ 27 bilhões e obteve apenas R$ 70 milhões de retorno. Há um preconceito com São Paulo, pois é reconhecido, em Brasília, como um estado próspero. Mas, na mesma proporção que temos riquezas, temos dificuldades. Precisamos corrigir esse pacto federativo equivocado. Tem estado que recolhe ao Governo Federal R$ 700 milhões e recebe de volta R$ 5 bilhões. Por que os estados do Norte e Nordeste passam dificuldades se, desde a Constituinte de 1988, São Paulo vem colaborando com patamares altos de recursos? Esse dinheiro não está chegando na ponta da linha? Temos que rever o pacto. Tem que ter menos para ­Brasília e mais para São Paulo.  

Diário – O senhor critica muito o PT, hoje, o inimigo maior não seria Jair Bolsonaro?

Trípoli – Convivo com ele há 12 anos e é um preço caro. Ele não tem conteúdo e isso me preocupa, pois como poderemos ter um presidente que não atenderá as demandas. Isso será muito ruim. Não se pode imaginar que um candidato que se coloca como da segurança pública tenha zero de propostas nessa área. Ele não entende nada de segurança, de economia, de educação, de saúde, enfim. Eu conversei com o coronel do Exército e ele me disse que Bolsonaro é um capitão que foi destituído dos quadros. O que me preocupa são esses candidatos de extremos porque, se eleitos, provavelmente não ficarão um ano no governo. O Brasil não suporta outro impeachment. Temos que ter estabilidade financeira, econômica, de renda e gerar recursos. Precisamos de segurança jurídica. E o único que tem regras claras para o Brasil é o Geraldo Alckmin. Só constrói futuro quem teve passado. O PSDB está há 24 anos governando São Paulo. Isso demonstra que mais acertamos do que erramos. Em 95, quando o partido assumiu o Estado, a máquina possuía 1,1 milhão de funcionários. Hoje, tem 620 mil. 

Diário – A região quase ganhou uma termoelétrica (Peruíbe) e está brigando para evitar a transposição do Rio Itapanhaú (Bertioga). Qual sua posição?

Trípoli – Fui secretário de Meio Ambiente do Estado e ativista ambiental. A Juréia quase recebeu uma usina nuclear. Hoje, estamos vendo crescer no País a energia solar e a eólica, que são alternativas mais viáveis ecologicamente. Precisamos ampliar essas tecnologias, principalmente a solar. É preciso também rever as questões relacionadas a aterros sanitários e resíduos sólidos. Precisamos reciclar mais. Outra coisa, esgoto tratado significa menos leitos de hospitais ocupados. Com relação a transposição, até que enfim que a sociedade acordou e percebeu que a água é fundamental. Quando foi feito o código florestal, eu lutei muito por isso, pelo plantio de mata ciliar à beira dos rios. Alguns municípios do Estado estão já utilizando água proveniente de aquíferos, não mais de superfícies. A questão ambiental hoje não é mais filosófica, mas de qualidade de vida e ­sobrevivência humana. 

Diário – O senhor foi a favor da Reforma Trabalhista. Ela não precisa de ajustes por ter castigado a classe trabalhadora?

Trípoli – Não. Ela foi muito bem elaborada. O problema nosso não com os trabalhadores, mas a quantidade de sindicatos. O Brasil possui 16 mil sindicatos, sendo 11 de trabalhadores e cinco patronais. Não existe, no Mundo, coisa parecida. Foram dadas para o cidadão-­trabalhador outras opções.

Diário – O senhor acredita que Lula se manterá como ­candidato?

Trípoli – O PT vai tentar mantê-lo até o dia 17 de setembro (último dia para trocar o candidato) para tentar enganar as pessoas. E isso é exatamente o que a sociedade não quer mais. Por isso que a política está desta forma, desacreditada.

Diário – A previdência é deficitária?

Trípoli – Sim. A longevidade ampliou muito e isso é bom. Na minha infância, uma pessoa de 40 anos era considerada idosa. Eu tenho 66 e vou disputar o Senado. Antes, tínhamos uma pessoa aposentada e três recolhendo. Hoje, é ocorre o contrário. Um cidadão comum hoje recebe, em média, R$ 1.500,00 mensais. No funcionalismo público, a média é mais de R$ 15 mil.