A Usiminas e os sindicatos novamente não entraram em acordo sobre as demissões na unidade da empresa em Cubatão após nova reunião, ontem, no Ministério Público do Trabalho, em Santos.
Foi a nona e última reunião entre as partes. A Usiminas apresentou uma proposta final de medidas para minimizar os impactos gerados aos seus empregados com a desativação, que já está em curso.
As medidas definidas são: manutenção dos planos de saúde e odontológico por três a seis meses, opção por auxílio-alimentação por até quatro meses ou por recebimento do benefício de retorno de férias e contribuição previdenciária durante três meses para empregados com possibilidade de aposentadoria, prioridade na recontratação quando da reativação dos equipamentos, remanejamento interno de alguns profissionais para áreas na usina que permanecerão operando e workshops de recolocação profissional. Nesta última reunião dois itens foram acrescidos: pagamento de contribuição previdenciária por três meses aos empregados aposentáveis e elaboração de cartas de recomendação.
No entanto, a proposta novamente foi rejeitada pelos sindicatos, como explicou Florêncio Resende de Sá, o Sassá, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista. “A Usiminas insiste nas demissões, não quer ouvir nenhuma proposta alternativa. Nós não concordamos com isso, então não tem qualquer sentido fazer proposta no sentido da lógica dela que é de extensão de benefícios, amenizar impactos, que é isso que ela fala. Não tem como caminhar. Nós não concordamos com a proposta de extensão de benefícios, que nem é muita extensão. É apenas a extensão relativa a alguns pequenos benefícios e eles insistem em manter isso”.
De acordo com o Sassá, o sindicato entendeu que a empresa não pretende retomar a produção. “Eles falaram que durante os próximos dois anos não tem como retornar a produzir aqui. Entendo que não tem espaço para continuar conversando. Até porque negociação não era, era conversação, mas até isso ficou prejudicado”.
O presidente disse que irá se reunir com a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos para debater medidas políticas e jurídicas a serem tomadas. Esse encontro deve acontecer até a próxima segunda-feira.
A Usiminas colocou em ata, na reunião, que as demissões diretas na empresa não ultrapassarão 1800 funcionários. O número corresponde a mais de 40% do quadro atual da usina e não contabiliza as empresas terceirizadas. Mas, segundo o sindicalista, o número de trabalhadores terceirizados é bastante alto.
O plano de demissão da empresa deve seguir até março. Sassá disse acreditar que, em um primeiro momento, o número de desligamentos não será alto. “Ela vai passar a demitir a partir do momento em que for desativando equipamentos. Mas alguns já foram desativados em dezembro. Pode ser que ela comece amanhã (hoje), mas mesmo que comece amanhã será baixo porque muitos equipamentos vão continuar operando até o final de janeiro”.
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Usiminas ressaltou que o conjunto de medidas apresentado superou o que é determinado pela lei e representa as possibilidades financeiras da Usiminas diante do cenário de profundos desafios vivido pela indústria do aço.
A empresa ainda destacou que o Instituto Aço Brasil, entidade que reúne as principais siderúrgicas brasileiras, divulgou que o consumo aparente de aço no Brasil caiu 15,8% no intervalo de janeiro a novembro, em relação ao mesmo período de 2014, que, por sua vez, já havia sido 6,6% menor do que em 2013. Diante desta queda progressiva do mercado, não resta alternativa à empresa senão ajustar sua capacidade de produção de aço bruto a esta realidade de baixa demanda, com consequente impacto no quadro de pessoal.