Reunião debate segurança nas rodovias da Baixada Santista

Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, não compareceu ao encontro

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03 JUN 2016Por Rafaella Martinez10h50
Encontro contou com a participação do Conselho Municipal de Segurança, OAB, lideranças comunitárias e representantes das concessionárias de ferroviasEncontro contou com a participação do Conselho Municipal de Segurança, OAB, lideranças comunitárias e representantes das concessionárias de ferroviasFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Uma reunião comandada pelo vice-prefeito de Cubatão, Donizete Tavares do Nascimento com representantes do Conselho Municipal de Segurança, lideranças comunitárias, representantes das concessionárias de ferrovias MRS e VLI, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Núcleo de Defesa Civil teve como objetivo apontar medidas urgentes para enfrentar os casos de violência nas estradas que cortam a ­região.

Dentre as medidas apresentadas, estão o bloqueio das pistas que margeiam os muros de contenção implantados ao longo das rodovias; a criação de uma Comissão de Segurança pela OAB; a retirada das muretas de contenção nas vias que cruzam as linhas férreas, para facilitar rotas de fuga e o roçagem do mato.

O encontro foi motivado devido ao assassinato de um jovem de 17 anos, há uma semana, na Rodovia dos Imigrantes, e o assalto a motoristas parados à espera da passagem do trem, no acesso à Avenida Joaquim Miguel Couto, no último dia 18.

Principal convidada do encontro, a Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), não enviou representantes. De acordo com Armando Campinas Reis Junior, secretário interino da pasta de Segurança Pública e Cidadania, a justificativa apresentada foi a realização de uma outra reunião para tratar do assunto.

“Nós sentimos a ausência e esperamos que medidas assertivas tenham sido tomadas para combater esse problema que não preocupa apenas Cubatão e sim todas as cidades praianas e metropolitanas, pois somos pontos de passagem”.

Para Aparecido Antonelli, presidente do Conselho de Segurança (Conseg), é preciso expandir os muros de contenção nas rodovias. “É fundamental a construção de um muro sentido mangue impedindo o tráfego de veículos e pedestres nos dois lados, com ângulos que impeçam o acesso para transpor os muros. Isso não custa nada para a Ecovias”, destacou.

O vice-prefeito de Cubatão, Donizete Tavares do Nascimento, a cobrança por maior policiamento tem sido constante por parte da Administração. “Estamos cobrando constantemente do governo do Estado o aumento do efetivo policial, que já foi sinalizada como positiva. Não temos como trazer as vidas de volta, mas precisamos abraçar essa causa”, finalizou.

MP pretende entrar com ação contra Estado

O Promotor público de Cubatão, Adriano Andrade de Souza pretende entrar com uma ação civil pública contra o Governo do Estado pedindo mais policiais civis no Município. Para o promotor, o aumento do efetivo seria uma das principais providências para reduzir a criminalidade no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).

“Há um ano, eu cobro a Secretaria de Segurança Pública para sanar este problema de efetivo, já que 60% dos crimes em rodovias na Baixada Santista ocorrem em Cubatão”, afirmou o promotor.

Ainda segundo o promotor, a dificuldade em se responsabilizar a Ecovias pelos casos de violência está no fato de que, contratualmente, a empresa é responsável pela segurança do tráfego. Mas ele ressalta que este argumento de defesa está cada vez mais questionável, na medida em que os criminosos realizam bloqueios na pista e prejudicam o funcionamento de todo o sistema. O MP já vem pressionando a empresa por meio de inquérito civil, onde, entre outras exigências, pede que as 150 câmeras do sistema sejam substituídas por outras de maior resolução, para que placas de veículos e rostos de bandidos sejam mais facilmente identificados.