Retomada de título a Goulart foi ideia de Comitê

No entanto, quem apresentou e aprovou projeto de lei na Câmara de Santos foi o vereador Benedito Furtado (PSB)

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24 MAI 2019Por Carlos Ratton07h20
Furtado disse que só queria ajudar, por acreditar que foi injusto o que ocorreu com o ex-presidente João Goulart, na DitaduraFoto: Rodrigo Montaldi/Arquivo DL

Embora tenha apresentado e aprovado um projeto de lei na Câmara de Santos que visa restituir o título de cidadão santista ao ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964, a ideia original não é do vereador Bendito Furtado (PSB), mas sim, é do Comitê Popular de Santos Memória, Verdade e Justiça - uma organização de preservação da memória política, criada na Cidade - que resolveu emitir uma nota oficial lembrando a questão.

Procurado ontem, o vereador disse, por telefone, que não teve intenção alguma de omitir a origem da proposta. "Eu só quero ajudar, porque acredito que foi injusto o que ocorreu com o ex-presidente João Goulart. A ideia foi, sim, do Comitê e espero que o prefeito Paulo Alexandre Barbosa sancione e que o título seja restituído".

MARÇO DE 64.

O título a Goulart foi dado em 11 de março de 1964, poucos dias antes do Golpe Civil-Militar. Ele assumiu a Presidência em 8 de setembro de 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, que foi retirado do poder em 2 de abril de 1964.

Em 28 de julho de 1964, o Legislativo santista aprovou o projeto de lei que revogava o título dado ao ex-presidente. O prefeito nomeado, Fernando Hortalla Ridel, membro do Arena (partido ligado ao regime militar), sancionou a propositura dois dias depois.

O Comitê - uma iniciativa da sociedade civil para aprofundamento da pesquisa e investigação nas comissões da Verdade que surgiram entre 2012 e 2014 em âmbito municipal, estadual e nacional - revela que em outubro de 2017 realizou audiência pública na Câmara para tratar da devolução do título e, um ano depois (outubro/18) protocolou o projeto de lei.

"Em novembro, estivemos no gabinete do vereador Benedito Furtado, onde o mesmo se prontificou a dar total apoio a causa e deu sequência ao projeto, que está sendo votado atualmente na Câmara", lembra a nota.

A organização trata de reparações históricas, devolvendo às vítimas o direito à memória, preservação da verdade como forma pedagógica e de direito do cidadão.

No próximo dia 7, uma das reparações será realizada com uma audiência pública em homenagem ao deputado Rubens Paiva, morto em 1971, após retornar ao Brasil pós Golpe de 64.

A farsa de sua morte foi desmascarada em 2014. Paiva foi torturado e morto, sendo que seu corpo nunca foi encontrado e entregue à família.

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