O aumento no desemprego e o fechamento e transferência de algumas empresas do Centro de Santos reduziram em cerca de 35% o faturamento de restaurantes da Rua Brás Cubas. A informação é dos próprios comerciantes, que afirmam que ainda não dá para saber o que esperar do próximo ano já que não há nenhuma perspectiva de melhora do quadro financeiro do País.
“É muito preocupante. Eu tive que reduzir dois funcionários por conta do movimento. A gente está na beira do limite. Espero que a partir do ano que vem, nós tenhamos uma resposta do Governo para ver se muda um pouco esta situação”, explica o comerciante André Lobo, proprietário, há três meses, do restaurante Sinal Verde.
Apesar do pouco tempo dirigindo o estabelecimento, Lobo garante que já sentiu os efeitos da crise econômica. “Já deu para a gente ter uma boa ideia do que é movimento. Só que o maior feedback que a gente teve desta situação foi dos próprios clientes. Eles pedem opções de refeições mais em conta, por exemplo. E também com nossos comerciantes vizinhos, tendo em vista que só por aqui já fecharam dois, fora em outras ruas do Centro que também teve restaurante que fechou”, conta.
O vizinho, restaurante Ravena, também está sentindo a saída de algumas empresas portuárias que fecharam ou mudaram de bairro, como é o caso da Deicmar e da Marimex. “A gente sentiu a saída de algumas empresas, mas até agora não precisamos dispensar funcionários. Houve um queda de 35% após o fechamento destas empresas. Toda a parte que é movimentada pelo Porto está sentindo. Alguns restaurantes estão reduzindo os funcionários e outros estão fechando”, explica o comerciante Guilherme da Silva Coelho.
Para o próximo ano, Coelho tem pouca esperança de que a situação melhore, mas já sabe a medida que terá que tomar caso o quadro piore. “A esperança é de que sempre melhore. Mas, sendo franco, a gente não tem tanta certeza se vai ter não. A medida que a gente acaba tendo que tomar é a redução de funcionários. Até agora, não temos nada planejado, mas é a medida que tem que ser tomada”, completa.
O comerciante Paulo Mazza, proprietário do Espaço Bem Brasileiro, também sentiu a mesma queda. “Caiu 30% aqui. Tem dia que cai 50%, mas a média é 30%. A situação começou a piorar na primeira semana de novembro. Tem dia que parece que vai voltar ao normal, o faturamento é bom. Mas de repente, cai. Em dezembro, as pessoas estão na correria dos presentes e, às vezes, nem param para almoçar”, conta.
Mazza também não está esperançoso quanto à melhora da crise que afeta vários setores do País. “A expectativa é que melhore, mas acho difícil. Está assim para todo mundo. Passo na frente dos restaurantes e vejo todos mais vazios do que antes. Por enquanto, não vejo nenhuma medida. Baixar preço, não dá mais. Estamos no limite porque tudo o que a gente compra já aumentou também”, complementa.
A rua Brás Cubas, assim como outras do Centro, era praticamente lotada por empresas portuárias e restaurantes, sendo uma das mais movimentadas no horário de almoço.
