Religiões se rendem aos poderes da internet

Conquistados pelo alcance das redes sociais, diferentes crenças apostam no contato online para aproximar fiéis.

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15 JUL 2018Por Vanessa Pimentel11h05
As igrejas católicas da Baixada Santista também entraram na onda e segundo a Diocese, as paróquias já possuem páginas nas redes sociaisAs igrejas católicas da Baixada Santista também entraram na onda e segundo a Diocese, as paróquias já possuem páginas nas redes sociaisFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Hoje em dia, se você é espírita, já consegue tomar um passe virtual através do Youtube ou fazer o ‘Evangelho no Lar’ pelo WhatsApp. Basta clicar no link de letras azuis que uma mensagem do livro ‘O Evangelho Segundo O Espiritismo’ é sorteada cada vez que a página é atualizada no celular. Desta forma, a prática pode ser realizada mesmo por quem não tem o exemplar.

Caso você seja católico, mas por algum motivo, não conseguiu comparecer à missa, pode acompanhá-la ao vivo pela internet. Um dos representantes desta religião, papa Bento 16 foi um dos primeiros pontífices a ser conquistado pelos poderes da internet e, em 2013, lançou o próprio aplicativo para smartphone para que os religiosos assistissem de qualquer lugar do mundo aos seus discursos. 

Os evangélicos também se adaptaram às novas tecnologias e os fiéis contam até com serviço de ‘Pastor Online 24 horas’. Através do site eles podem desabafar e ouvir conselhos para tentar amenizar os problemas a qualquer momento. 

Segundo os representantes das religiões, um dos principais objetivos é conquistar mais fiéis, inclusive os jovens – totalmente inseridos no mundo virtual - e facilitar a vida de quem vive na correria, mas não quer deixar de lado os hábitos que envolvem a fé. 

As igrejas católicas da Baixada Santista também entraram na onda e segundo a Diocese, as paróquias já possuem páginas nas redes sociais (Facebook e Instagram) ou sites, onde é possível encontrar uma série de serviços pastorais. 

Em Santos, por exemplo, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus transmite as missas ao vivo pelo seu site; em Guarujá, Itanhaém e Peruíbe, as missas podem ser assistidas pelo Facebook. Já em Praia Grande, a paróquia Nossa Senhora das Graças optou pelo rádio e em parceria com a Rádio Boa Nova, transmite a programação aos fiéis. 

A própria Diocese crê que a tecnologia facilitou o trabalho que realiza. “Sem dúvida. Pelo fato de estarmos localizado em nove cidades, e as distâncias geográficas são consideráveis, o acesso à internet e aos serviços online facilita, por exemplo, a informação sobre as agendas dos eventos paroquiais ou diocesanos. É também um meio que facilita o contato com o público jovem”, explica a assessoria. 

Desvantagens

Mas, ao mesmo tempo em que a internet trouxe benefícios, vieram as desvantagens, entre elas, o descompromisso do fiel com a vida comunitária “presencial”, já que uma parte dela pode ser acessada pelo ­computador. 

“Encontros de formação na paróquia deixam de ser atrativos. É claro que não se pode substituir a participação presencial na celebração por um meio eletrônico, e o fiel sabe disso. O uso do celular para registro de fotos ou vídeos também aparece como um componente que provoca distrações nas celebrações.

Porém, estamos atentos a essas questões e há agentes que ajudam a comunidade num processo educativo quanto ao uso desses meios”, explica a Diocese. 
Em tempos modernos, a Igreja Católica reconhece a importância desses recursos tanto para a vida pessoal quanto para a vida social, entretanto, cuida para que a internet não afaste  de vez os fiéis da igreja. 

Na prática

Ana Paiva, dirigente do centro espírita Grupo da Prece, em São Vicente, diz que a internet veio para ajudar. Por lá, ela é usada para divulgar de forma mais ampla e rápida os eventos da casa, congressos nacionais, palestras e encontros entre outros centros. Algumas editoras também decidiram disponibilizar seus livros para download, bem como palestrantes jogam na rede encontros que nem todos puderam participar. 

Mas, Ana é enfática ao fazer o lembrete: a prática da religião é mental, não por redes sociais. “Quando uma pessoa me manda mensagem pelo WhatsApp pedindo um passe a distância, a tecnologia ajudou nessa comunicação, mas é o pensamento que realiza o trabalho. Se eu não me concentrar e a pessoa não estiver receptiva, as energias não chegam”, explica. 

O mesmo raciocínio segue para os vídeos de passe magnético dispostos no Youtube. “A música, as imagens, os dizeres ajudam a pessoa a se concentrar e entrar em sintonia com a espiritualidade, caso contrário, é só um vídeo. A internet é só uma ferramenta”, esclarece. 

Das maiores vantagens, Ana cita a possibilidade de ouvir os dizeres de ‘O Livro dos Espíritos’ no carro enquanto dirige. “Estas mídias permitem que o tempo que gastamos em atividades diárias, no trânsito, por exemplo, seja aproveitado de outra forma”, diz. 

Outra graça alcançada através das conexões online é a união, por uma webcam, de pessoas distantes entre si a fim de realizarem orações em grupo. No fim, internet e fé se mostram parceiras com objetivos em comum: conectar pessoas e ultrapassar barreiras.