Região teve mais de 2 mil bebês prematuros em 2017

A Baixada Santista registrou no ano passado 2,4 mil nascimentos de bebês prematuros, de acordo com informações da Secretaria de Saúde do Estado.

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18 NOV 2018Por Da Reportagem12h57
Bebês com 'Muito Baixo Peso ao Nascer' são frágeis do ponto de vista clínico e podem sofrer os efeitos de diversas complicações.Foto: Divulgação

A Baixada Santista registrou no ano passado 2,4 mil nascimentos de bebês prematuros, de acordo com informações da Secretaria de Saúde do Estado. Em 2017, só em Santos, dos 4.887 nascimentos registrados, 440 foram prematuros, o que representa uma taxa de 9%, segundo a Secretaria de Saúde do município. 

Com cerca de 300 mil bebês nascidos anualmente no país com menos de 37 semanas de gestação, o nascimento antes desse período é responsável por 53% dos óbitos registrados pelo Ministério da Saúde no primeiro ano de vida dos bebês, e o que deixa o país como décimo do mundo com maior índice de nascimento de bebês prematuros. 

Bebês com Muito Baixo Peso ao Nascer – MBPN - são frágeis do ponto de vista clínico e podem sofrer os efeitos de diversas complicações como malformação congênita, deficiências auditivas e visuais, disfunção reativa das vias aéreas (asma), deficiências de crescimento e distúrbios de comportamento. Cerca de 10% dos bebês com MBPN sofrem de paralisia cerebral.

Segundo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a gestação na adolescência, falta de cuidados pré-natais, tabagismo, obesidade e desinformação são alguns dos desencadeadores da prematuridade no Brasil. 

Para informar cada vez mais pessoas a respeito da condição, foi criada a campanha Novembro Roxo, que em outros países já ganhou representatividade, mas no Brasil ainda não. 

Por isso, no domingo passado, a ONG Prematuridade.com realizou em Santos a 1ª Caminhada da Prematuridade para inserir a demanda na agenda pública municipal.

ONG Prematuridade

A Associação Brasileira da Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – Prematuridade.com, nasceu em 10 de abril de 2011 com um blog sobre prematuridade e uma página no Facebook. Em novembro de 2014, a iniciativa foi além e nasceu a ONG Prematuridade.com. 

A Organização não é vinculada a nenhuma marca, empresa ou instituição, mas trabalha em parceria com esses para a realização de projetos voltados à prevenção do parto prematuro, educação continuada para equipes neonatais e a área da busca de implementação de políticas públicas voltadas à causa – “advocacy”. 

Aline Hennemann, professora de saúde infantil e adolescente e vice-presidente da organização esteve na caminhada em Santos e explicou sobre os riscos à saúde do prematuro e a importância do contato físico com o corpo da mãe.

“O contato pele a pele entre pais e bebês prematuros tem um impacto positivo porque aumenta os níveis de ocitocina e tranquiliza os bebês”, diz. 

Segundo estudos da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, as mudanças nos níveis de ocitocina e cortisol fornecem um suporte robusto para defender o aumento do contato pele a pele durante a infância, especialmente para prematuros na Uti Neonatal. “A ocitocina facilita a sensibilidade social e a conexão necessária para desenvolver relacionamentos. Já um nível menor de cortisol pode contribuir para o aumento do engajamento parental”.

O estudo coletou amostras de saliva de 28 bebês prematuros, nascidos em média na 33ª semana de gestação, e de seus pais, enquanto os pequenos recebiam cuidados na UTI Neonatal. Apesar de precisarem de atenção especial, o quadro de saúde de todos os bebês se manteve estável até receberem alta. Os testes serviram para revelar os níveis de hormônios dos participantes antes e depois do contato pele a pele.

Outro tópico que faz parte da luta da ONG é o aumento da licença-maternidade para quem tem filhos prematuros. “Como os cuidados são diferentes, o ideal seria que os 120 dias começassem a ser contados apenas na alta do bebê”, esclarece Aline. 

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