Cubatão foi atingida diretamente pelo incêndio na área portuária da Alemoa. No último sábado, dia 4, os moradores foram surpreendidos por milhares de peixes na margem dos rios que cercam a Cidade. No entanto, segundo a chefe do Executivo cubatense, Marcia Rosa, o Município não foi convidado a fazer parte do comitê de crise criado pela Prefeitura de Santos.
“A região não está preparada para acidentes desse porte. A questão está sendo tratada como assunto local de Santos, mas é regional, atinge a população de outras cidades. Dizem que há plano de evacuação, mas Cubatão estaria no raio dessa evacuação e o município não tem nenhuma informação”, critica a prefeita.
Marcia Rosa alerta sobre a necessidade de providências quanto à formulação de uma estratégia de prevenção regional conjunta para emergências como este incêndio e na cobrança dos prejuízos coletivos causados pelos acidentes. “A poluição gerada pelo acidente tem impacto em toda a Baixada Santista. Comunidades que vivem da pesca e os consumidores de pescado estão sendo prejudicados. Pode estar ocorrendo contaminação do solo e da água e sequer há informações sobre que tipo de espuma está sendo usada no combate ao incêndio e que está sendo levada com a água para o mar”.
Três toneladas de peixe morto foram retiradas dos manguezais da Cidade. “Considerando que cada peixe tenha 300 gramas, cerca de 15 mil peixes foram mortos”, explica a prefeita, acrescentando ainda que cobras d’águas também foram encontradas mortas neste monte. “Isso quer dizer que a poluição não atingiu somente a superfície do rio, mas também o corpo, atingiu certa profundidade. Não adianta dizer que a fumaça não é um problema. Poluente é poluente e Cubatão, mais do que ninguém, sabe o que é isso”.

Pesca
A preocupação da prefeita vai além da poluição. As comunidades pesqueiras da Cidade podem ficar sem o seu sustento. Segundo ela, os pescadores chegavam a retirar do rio cerca de 400 quilos de peixe por dia. “Não tem mais peixe. Nenhum. O incêndio atingiu Cubatão, principalmente, no meio ambiente”, lamenta Marcia. Segundo a chefe do Executivo, a maré atingiu 1,6 metros até o final da tarde de ontem e cobriu toda a área de mangue. “Ou seja, a esta altura, a substância contaminante invadiu tudo”, explica.
Assim que tomou conhecimento da situação, a Prefeitura de Cubatão criou um grupo para gerir os prejuízos na Cidade com representantes da OAB; do Centro de Capacitação e Pesquisa do Meio Ambiente (Cepema), ligado à USP; das comunidades; além do secretariado municipal e técnicos do setor. Diante das discussões sobre os problemas, que duraram todo o dia de ontem, a Administração Municipal preparou um ofício e encaminhará para todos os órgãos envolvidos, além da Agem, do Ministério de Pesca, do Gaema e do Ministério Público. Cubatão está se mobilizando para analisar amostras de peixes mortos e da água do mar colhidas em vários pontos, para verificar a presença de metais e produtos tóxicos. A análise das amostras será providenciada pelo Cepema.
Hoje, uma equipe do Ministério da Pesca chega a Cubatão, para tratar dos milhares de peixes mortos encontrados no Rio Casqueiro e verificar a situação junto com pescadores e técnicos da Prefeitura. O envio da equipe foi acertado após contato da prefeita com o ministro Helder Barbalho. “Não é apenas a Administração Municipal que está sem informações. Moradores e até órgãos ambientais, como é o caso da Cetesb em Cubatão que não está participando diretamente dos trabalhos. Estamos usando pessoal próprio para fazer o monitoramento ambiental, coletar amostras para exames e outras providências”, explicou a prefeita.
Representantes dos pescadores artesanais das comunidades da Ilha Caraguatá e da Vila dos Pescadores também relataram os problemas enfrentados. Com a maré, um derrame de combustível no mar na Alemoa pode em dez minutos estar sob as palafitas da Vila dos Pescadores, e ocasionar outra tragédia como a da Vila Socó, e os moradores não contam com informações sobre como agir em tais casos. Com a morte dos peixes, mais de 100 famílias de pescadores na Vila Esperança e 40 na Ilha Caraguatá estão sem saber como se manterão no futuro.