Reflexões sobre a agricultura brasileira e o uso de fertilizantes

É comum perceber as frequentes dúvidas sobre os fertilizantes, sendo inúmeras vezes confundido com agrotóxicos, e por sua vez assumindo um papel de vilão, o que parece ser uma percepção equivocada

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20 JUN 2021Por Da Reportagem09h27
Existem também críticas ao agronegócio brasileiro, com argumentações ambientais, principalmente do mercado europeu que é nosso concorrenteExistem também críticas ao agronegócio brasileiro, com argumentações ambientais, principalmente do mercado europeu que é nosso concorrenteFoto: Divulgação

Por Pedro Oliveira & Bárbara Matos

É comum perceber as frequentes dúvidas sobre os fertilizantes, sendo inúmeras vezes confundido com agrotóxicos, e por sua vez assumindo um papel de vilão, o que parece ser uma percepção equivocada. Além disso, existem também críticas ao agronegócio brasileiro, com argumentações ambientais, principalmente do mercado europeu que é nosso concorrente.

A partir deste cenário de dúvidas, com uma recente pesquisa da Diretoria Comercial e Novos Negócios da Unimar Agenciamentos Marítimos, vamos compartilhar alguns dados para trazer um melhor entendimento de ambos os temas, sendo necessário primeiramente ter uma compreensão clara sobre o que são fertilizantes e sua clara diferença com agrotóxicos.

Os agrotóxicos são produtos ou processos de origem química, física e biológica, que podem ser utilizados ao longo de toda a cadeia produtiva da planta. A finalidade principal dos agrotóxicos é alterar a fauna e a flora com o objetivo de preservar a plantação da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, sendo utilizados em prevenção e controle de fungos, propagação de insetos nas plantações, atuando no controle e ervas daninhas e etc.

Já o fertilizante é tudo aquilo que tem função nutricional. A composição pode ser de elementos orgânicos, minerais ou metálicos, por exemplo, fazendo parte direta ou indiretamente de todos os processos metabólicos da planta. O fertilizante tem a função de deixar o solo mais fértil e propício ao desenvolvimento de plantas, quando os agrotóxicos são utilizados no combate a determinados problemas, que podem ser causados por fungos, bactérias, vírus, insetos e pestes em geral.

Trazendo a questão para o foco ambiental frente ao agronegócio, é fato que há um avanço na área plantada numa rota ao norte, como podemos observar na comparação abaixo:

“Cada vez mais o centro norte é pintado de verde, gerando inclusive demanda do escoamento dos grãos e importação dos fertilizantes através do chamado “Arco Norte”, via Itacoatiara/AM, Santarém/PA e Belém/PA”. Na realidade, avaliações concluíram que os grãos cultivados acima da latitude 16S, quando escoados pelos portos do “Arco Norte”, tem um custo médio de transporte entre a fazenda e o porto de U$80/toneladas, versus U$126/toneladas se forem transportados até os portos do Sul/Sudeste, como Santos/SP e Paranaguá/PR”, comentou Pedro Oliveira, Diretor Comercial e Novos Negócios da Unimar Agênciamentos Marítimos.

Sendo a produção média do Mato Grosso/MT aproximadamente 28 milhões de toneladas, teríamos uma economia no custo de transporte acima de U$1,2 bilhões ao ano, diretamente no bolso dos produtores, o que ainda não ocorre devido aos gargalos logísticos no “Arco Norte”, que tem recebido enorme atenção dos players do agronegócio, tal qual do Ministério dos Transportes.

Retomando o foco para o tema em pauta, é possível observar uma escalada em nossa produção agrícola, muito ligada aos investimentos em alta tecnologia agrícola, sendo muitas vezes precursora em inovações, genética, inteligência artificial, entre outros, onde passamos de 73,6 milhões de toneladas de grãos colhidos em 1995, para 215,3 milhões em 2016, sendo a safra 2020/2021 estimada em 262,1 milhões de toneladas.

Se compararmos 2016 versus 1995, percebemos um crescimento de quase 300% em nossa produção agrícola, e a questão que fica é: será que a área plantada sofreu o mesmo crescimento, comprometendo nosso meio ambiente?

Em um levantamento feito pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) e Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) em 2016, foi possível verificar que em 1995 a área plantada com grãos ocupava cerca de 37,0 milhões de hectares (1 hectare = 10 mil metros quadrados), e em 2016 alcançou 59,1 milhões de hectares, ou seja, um incremento de 160%.

Qual seria a razão da diferença entre 300% de aumento na produção de grãos e 160% na área plantada? O gráfico abaixo apresentado no Simpósio Sindiadubos (Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná) em 2017 é bastante esclarecedor. Em 1995 identificamos a aplicação de 10,8 milhões de toneladas de fertilizantes, versus 34,0 milhões de toneladas em 2016, ou seja, quase 310% de crescimento.

A visualização dos três indicadores acima, permite-nos uma clara ideia do que nos possibilitou ao longo dos anos através do uso de tecnologias de ponta ligadas ao uso de fertilizantes, maximizando nossa produtividade sem que houvesse um comprometimento desproporcional de nossa área plantada.

Em realidade, vemos uma enorme demanda chinesa por compra de alimentos, muito em vista da migração de sua população de áreas rurais para centros urbanos, quando suas duas principais fontes de suprimento são os Estados Unidos e o Brasil.

Estimativas feitas pela USDA (United States Department of Agriculture) em 2014, previam um crescimento de 46% na demanda chinesa por soja entre 2014 e 2024, quando os EUA cresceriam 10% e o Brasil 47%. “Isso se deve pois a área plantada e produtividade americana estavam próximas ao seu limite e como vimos no gráfico, o Brasil ainda tinha ampla margem para crescimento em ambos os quesitos”, comentou Barbara Matos, Analista Comercial e Novos Negócios da Unimar Agenciamentos Marítimos.


A grande maioria de nosso fertilizante é importado, cerca de 75%, com uma previsão de crescimento de 3 a 4% no consumo brasileiro para os próximos anos.

As principais nações fornecedoras de fertilizantes são apresentadas abaixo numa análise de 2020.

Os fertilizantes são descarregados nos principais portos brasileiros, vindo em navios graneleiros.

Os fertilizantes englobam em sua importação nutrientes, tais como Sulfato de Amônio, Ureia, Nitrato de Amônio, MAP, Super Simples Granulado, Super Triplo Granulado, Termo fosfato, Cloreto de Potássio, Fertilizantes Complexos entre outros, com uma variação de preço entre U$70 a mais de U$400 por tonelada.

Toda a operação é feita através de grabs, com uma produtividade de descarga de 4 a 5 mil toneladas por dia em operações em cais comercial, chegando a 10 mil toneladas por dia em terminais especializados.

“Temos observado um aumento nos volumes trazidos pelos navios graneleiros, usualmente HandyMax, Supramax, Panamax, que chegaram a descarregar 71mil toneladas de fertilizantes”, comentou Barbara Matos, Analista Comercial e Novos Negócios da Unimar Agenciamentos Marítimos.

O Brasil recebe acima de 1.600 escalas de navios de fertilizantes anualmente, por isso, é comum haver filas de atracação gerando atrasos entre a chegada e a atracação em média de 4 dias, porém, em alguns portos com maior volume e congestionamento, este atraso pode chegar em até 50 dias, sendo a operação sensível a situações climáticas, como a chuva.

Devido sua relevância para nossa produção nacional de grãos e toda economia brasileira, a operação de descarga de fertilizantes é extremamente complexa e seu altíssimo volume anual demanda extremo profissionalismo no atendimento destas embarcações.

Este conteúdo é uma contribuição da Unimar Agenciamentos Marítimos.