Na petição protocolada no último dia 29, o procurador incluiu vídeos de programas como o Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural / Divulgação/GLobo
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A forma correta de pronunciar a palavra ‘recorde’ virou alvo de debate jurídico e linguístico no Brasil. O Ministério Público Federal em Minas Gerais moveu uma ação civil pública contra a TV Globo, alegando que a emissora estaria difundindo uma pronúncia incorreta do termo.
Segundo o procurador Cléber Eustáquio Neves, autor da ação, a palavra seria paroxítona — com a sílaba tônica em 'cor' (reCOrde) — e não deveria ser pronunciada como proparoxítona (‘RÉcorde’). Ele argumenta que o uso reiterado da forma que considera inadequada estaria causando uma ‘lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa’ e gerando um ‘efeito manada’ na população.
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Na petição protocolada no último dia 29, o procurador incluiu vídeos de programas como o Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural para sustentar o argumento. Ele pede multa de R$ 10 milhões e a veiculação de uma retratação em rede nacional.
Apesar da argumentação apresentada na ação, especialistas consultados pelo portal Terra afirmam que as duas pronúncias estão corretas no Brasil.
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A comprovação pode ser encontrada em dicionários de referência, como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o Dicionário Michaelis e o Dicionário Caldas Aulete, que registram ambas as formas como variantes aceitáveis.
De acordo com linguistas, a pronúncia ‘RÉcorde’ tornou-se bastante difundida pela influência do inglês ‘record’, cuja tonicidade recai na primeira sílaba. No entanto, isso não invalida a forma ‘reCOrde’, tradicionalmente classificada como paroxítona.
Ou seja, do ponto de vista normativo e lexicográfico, as duas versões são consideradas adequadas no uso brasileiro.
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Na ação, o procurador sustenta que, por se tratar de concessionária pública de radiodifusão, a Globo teria o dever de adotar a norma culta como modelo de qualidade informativa.
‘A palavra ‘recorde’ é paroxítona, com a sílaba tônica em cor: reCORde. Portanto, não leva acento gráfico e não deve ser pronunciada como proparoxítona’, afirma o texto da petição.
Em outro trecho, o procurador argumenta que a emissora ‘atua como um braço do Estado na difusão de informações’ e que a repetição de um suposto erro de prosódia violaria o direito da sociedade a uma programação educativa e informativa adequada.
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