Ele foi um dos responsáveis pelo Programa Bolsa Escola, na gestão do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, no Governo Fernando Henrique Cardoso. Na Baixada, foi secretário de Cultura de Santos e Cubatão. Em entrevista ao Diário, Raul Christiano (PSDB), candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa, terá a Educação como sua principal bandeira. Confira os melhores trechos da entrevista:
Diário – Há muito você sonha em ser deputado estadual, não?
Raul Christiano – Todas minhas candidaturas foram, até hoje, designadas pelo PSDB. Já fui candidato a deputado federal e a prefeito. Em 2006, o Bruno Covas, o Paulo Alexandre Barbosa e o Edmur Mesquita foram candidatos a deputado estadual e tive que ser candidato a federal a pedido do partido. Tive em duas campanhas, sem recursos, 31 mil votos na região. Não tinha mais planos só que agora, com a saída de alguns nomes importantes, o PSDB quer o resgate de uma militância adormecida e eu fui novamente convocado. Então, aceitei mais essa tarefa partidária.
Diário – Como você quer ser definido?
Raul – Como o deputado da Educação. Temático do segmento. E meu foco será o Ensino Fundamental, incluindo a primeira infância. Precisamos resgatar uma geração perdida. Precisamos reverter a evasão escolar. Trabalhar o retorno para a escola para que a universidade pública os receba com algum tipo de parceria visando a realidade regional. É preciso traduzir as necessidades reais do País. As cotas e os programas compensatórios de renda são importantes, mas têm que ser emancipatórios, com data de validade abranger todas as necessidades dos estudantes. Também é preciso promover saúde nas escolas, para detectar os problemas das crianças, principalmente visão e audição. Há um programa nacional, mas os municípios não valorizam.
Diário – João Dória, Márcio França ou Paulo Skaf. Vai mudar alguma coisa se um dos três for eleito?
Raul – São diferentes. Meu candidato é o Dória e eu defendo o legado do PSDB. Desde 1995, tivemos a maioria da escolha de nossos candidatos no primeiro turno. É único estado que está com as finanças equilibradas. O Dória nos representa. Ele traz um modelo novo de gestor, que não é o privado, mas antenada com as novas necessidades da sociedade. Ele coloca muita força nas parcerias público privadas. O Skaf é inexperiente e quer levar a gestão privada para a pública e isso é impossível. O Márcio decidiu por candidatura própria do PSB e não tem como apoiá-lo por conta do meu partido.
Diário – Você é um homem da cultura. Como avalia o abandono dos prédios históricos de Santos?
Raul – Não é privilégio de Santos e Baixada não possuir uma política pública para restauro, conservação e manutenção dos patrimônios históricos e artísticos. Não existe uma cultura no Brasil que dê foco a isso também. Temos inúmeros prédios sob risco. O poder público deveria definir no orçamento um valor carimbado para manutenção dos prédios históricos. Eu cheguei a interditar o Coliseu e fui questionado. Não adianta restaurar e não manter. Todos os prédios de Santos estão se deteriorando.
Diário – A Baixada não investe nem 1% em Cultura. Qual sua avaliação?
Raul – Há uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), da deputada Jandira Feghali (PC do B), que estabelece investimento mínimo nos municípios de 1%, 1,5% dos estados e 2% da União, além de uma parte do Fundo de Participação dos Municípios. Acho que isso seria importante, para garantir o mínimo de recursos. Poderíamos criar a lei de responsabilidade cultural a exemplo da de responsabilidade social.
Diário – Qual sua opinião sobre a lei Rouanet?
Raul – Deve ser mantida, porém, rediscutida em nível nacional. Deveria ter editais mais democráticos, que priorizassem o interior do País.
Diário – Você acredita que Educação e Cultura deveriam caminhar juntas?
Raul – Em muitos lugares onde ambas foram fomentadas por um único orçamento, a Cultura ganhou. Em Caraguatatuba, com recursos da Educação, foi construído um teatro. Ele faz cursos de capacitação de professores, promove palestras mas, também, exibe espetáculos de dança, teatro e música. Essa junção é produtiva.
Diário – Você acredita na travessia seca entre Santos-Guarujá?
Raul – É necessária e acredito que a alternativa colocada, de ser viabilizada com recursos privados, é certa. O poder público não tem capacidade financeira de fazer a obra. Ao mesmo tempo, defendo a proposta do Dória que é a de privatizar a travessia. O Estado tem que ter papel regulador e fiscalizador. Priorizar saúde, educação, cultura, transporte urbano e segurança pública.
Diário – Qual sua opinião sobre a saúde regional?
Raul – Os hospitais da região estão recebendo obras. Os municípios têm que definir a sua complexidade e os parlamentares tem que garantir emendas para a área. É preciso também que haja atualização da tabela SUS e uma facilitação no sistema de convênios.
Diário – E segurança pública?
Raul – Quero ser um deputado à moda antiga. Comprometido com as carreiras de professores, policiais, funcionários públicos, enfim. Tivemos deputados muito importantes e que fizeram história na região. Hoje, a Assembleia perdeu muito sua capacidade de questionamento. Temos que resgatar a importância do parlamento paulista. Dizer amém sempre ao governador tá errado, mesmo sendo do mesmo partido. Meus ideais estão acima do partido e quero ser cobrado. Meu mandato será colaborativo. Tenho uma história.
