Raridade absoluta: Espécie de ave com apenas 12 sobreviventes no mundo registra novos avistamentos

Monitoramento na Estação Ecológica de Murici revela quatro novos filhotes do pássaro

A choquinha ocupa o nível mais crítico da Lista Vermelha da IUCN

A choquinha ocupa o nível mais crítico da Lista Vermelha da IUCN | Reprodução/WikiAves

Uma das aves mais raras e ameaçadas do planeta acaba de registrar um importante sopro de vida em solo brasileiro. A choquinha-de-alagoas (Myrmotherula snowi), espécie que habita exclusivamente o que resta da Mata Atlântica no Nordeste, teve quatro novos filhotes avistados na Estação Ecológica (ESEC) de Murici, em Alagoas. 

Com esses registros, a população mundial conhecida da ave saltou de oito para 12 indivíduos, trazendo um alívio temporário para pesquisadores e ambientalistas.

A descoberta, documentada pela organização SAVE Brasil entre o final de 2025 e janeiro de 2026, indica que ao menos dois casais da espécie continuam se reproduzindo livremente na natureza.

Medindo apenas 9,5 centímetros e pesando o equivalente a uma moeda, a choquinha ocupa o nível mais crítico da Lista Vermelha da IUCN. 

O declínio acentuado é fruto de um desmatamento histórico que devastou 95% da cobertura florestal original ao norte do Rio São Francisco, substituída ao longo de décadas por monoculturas como a cana-de-açúcar.

O refúgio de Murici e o combate aos predadores

Atualmente, a ESEC de Murici representa o último santuário da espécie. O fragmento de floresta ombrófila densa possui seis mil hectares protegidos e é alvo de um monitoramento sistemático realizado em parceria com o ICMBio. 

Para garantir que os novos filhotes sobrevivam e cheguem à idade adulta, a equipe de conservação realiza um manejo ativo no habitat, que inclui a remoção segura de predadores naturais de ovos, como pequenos marsupiais da fauna local.

A urgência do trabalho em Alagoas é acentuada pelo fantasma das extinções recentes na região. Espécies que compartilhavam o mesmo ecossistema, como o limpa-folha-do-nordeste e o trepador-do-nordeste, já desapareceram definitivamente devido à fragmentação do bioma. 

O sucesso reprodutivo da choquinha-de-alagoas em 2026 reforça a importância das políticas de preservação para evitar que mais uma joia da biodiversidade brasileira seja apagada da história.