Rabo do Dragão: Em busca da cidadania em Guarujá

Centenas de famílias que moram às margens da Rodovia Guarujá-Bertioga pedem mais infraestrutura à Prefeitura, que promete mais atenção aos moradores.

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03 NOV 201214h00

Cerca de 350 famílias que moram ao longo da Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (SP-61) – conhecida popularmente como Guarujá-Bertioga – estão pedindo cidadania. Caiçaras legítimos, há anos sofrem com a falta de estrutura que lhes dificulta o acesso a serviços básicos relacionados à saúde e educação.

Conforme um dos líderes da comunidade, Sidnei Bibiano, a Rodovia situa-se integralmente dentro do Município de Guarujá e a maior parte dos moradores está localizada entre o quilômetro 11 e a balsa que dá acesso ao município de Bertioga.
 
Ele explica que os principais problemas são a falta de creche e uma escola – cerca de 250 crianças e adolescentes de zero a 13 anos moram no local – de um pronto socorro, de iluminação pública e transporte público. 
 
“Precisamos do retorno dos ônibus das linhas que vão do Distrito de Vicente de Carvalho até o ponto final na balsa Guarujá-Bertioga; que vão do Ferry-Boat (na Avenida Ademar de Barros) até a balsa; e continuidades das linhas 55, 77,17 e 21 até a divisa da balsa, que hoje só atende até o bairro Perequê. Também precisamos da colocação de um transporte público noturno”, conta Bibiano.
 
O representante dos moradores salienta que falta também cobertura nos pontos de ônibus; postos de segurança e iluminação na estrada. “Uma farmácia popular seria de grande valia à população local”, comenta. 
 
Ele revela que há anos a população reivindica uma área de lazer para as crianças, um centro comunitário, uma quadra poliesportiva e uma biblioteca pública, além de um centro de formação de capacitação de profissionais com cursos de geração de renda, entre outros equipamentos.   
 
Serra do Guararú
 
A comunidade está inserida em uma área da Serra do Guararú, na região conhecida como Rabo do Dragão, que compreende o maior conjunto de remanescentes de Mata Atlântica, mangues e restinga de Guarujá e que vai se tornar Área de Preservação Ambiental.
 
O decreto já foi assinado durante a cerimônia de entrega da Agenda 21, no Delphin Hotel, pela prefeita Maria Antonieta de Brito (PMDB). O documento tem como objetivo básico proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso de recursos naturais do local.
 
A área tem aproximadamente 25,6 km² e foi delimitada com base nas cartas planialtimétricas confeccionadas pelo Sistema Cartográfico Metropolitano da Baixada Santista – SCM-BS, da Agência Metropolitana da Baixada Santista – Agem.
 
Fará parte ainda da Área de Proteção Ambiental Municipal da Serra do Guararú a criação da Estrada Turística na SP-061, devendo sua gestão estabelecer parcerias, principalmente com o Departamento de Estradas e Rodagem – DER/SP, para requalificação e desenvolvimento das atividades turísticas de maneira sustentável.
 
A implantação da Área de Proteção Ambiental Municipal da Serra do Guararú será acompanhada de um programa permanente de educação ambiental, a ser desenvolvido pelas Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Educação, em parcerias com organizações locais da sociedade civil, cuja orientação e acompanhamento caberão ao Conselho da Área de Proteção Ambiental Municipal.
 
Cerca de 350 famílias que moram ao longo da Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (SP-61) (Foto: Luiz Torres/DL)

Área guarda tesouros arqueológicos
 
As encostas da Serra do Guararú guardam tesouros arqueológicos que levaram o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Arqueológico do Estado (Condephaat) a tombar a área. Ali, Martim Afonso teria desembarcado, em 1.532, dando início à colonização do Estado de São Paulo. 
 
Em 1.550, o português José Adorno ergueu, às margens do Canal de Bertioga, a Ermida de Santo Antônio do Guaibê, capela onde o padre José de Anchieta catequizou os índios tupiniquins, permitindo a convivência pacífica entre os portugueses, na época, governados por Tomé de Souza, e os guerreiros nativos.

O sítio arqueológico poderá integrar o Parque da Serra do Guararú, juntamente com a Armação das Baleias e o Forte São Felipe, construção que também se encontra em ruínas, apesar de ter desempenhado papel fundamental na segurança da Vila de São Vicente e, mais tarde, do Porto de Santos, contra ataques dos índios tupinambás e de corsários.

Região abriga diversas espécies de animais
 
Rica em biodiversidade, a Serra do Guararú é considerada o último trecho remanescente de Mata Atlântica intacto em Guarujá. As encostas servem de abrigo para felinos, como a onça parda e a jaguatirica. A vegetação, rica em palmito juçara, funciona como ninhal para tucanos, pica-paus e gaviões de várias espécies. 
 
Nas picadas que levam às praias Branca e de Iporanga, a trilha sonora fica por conta de tiés-sangue, saíras de sete cores e maritacas. Embora não exista um estudo específico sobre a área, o gerente de Meio Ambiente da Sociedade Amigos do Iporanga, Ricardo Zuppi, contabiliza relatos da aparição de tamanduás-mirins, bichos-preguiça, veados, pacas, tatus e gambás, além de centenas de espécies características da Mata Atlântica.

Prefeitura responde
 
A Prefeitura de Guarujá informa que a região da Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (SP-61) é formada por loteamentos irregulares, que foram ocupados de forma desordenada e ressalta que em áreas irregulares não é permitido obras de infraestrutura. Por isso, a equipe da Regularização Fundiária de Guarujá vem trabalhando para a regularização de mais de 70 núcleos, com o objetivo de levar dignidade e qualidade de vida à população. 
 
A Prefeitura revela que a iluminação na rodovia é de responsabilidade do Departamento de Estradas e Rodagens de São Paulo (DER). Contudo, a Administração enviará ofício cobrando o departamento para melhorias naquele trecho.
 
Ainda segundo a Administração, a Secretaria de Educação atende os estudantes da região do Rabo do Dragão disponibilizando um ônibus que leva os alunos apara as unidades mais próximas de suas casas. São atendidos crianças e jovens que estudam nas Escolas Municipais Maria Eunice da Cruz, Galdino Moreira e Benedita Blac.
 
Quanto ao transporte público, no que se refere à extensão das linhas 55, 77, 17 e 21 até a divisa da balsa Guarujá-Bertioga, e do transporte noturno, a Diretoria de Trânsito e Transporte Público informou que todas essas reivindicações já estão sob análise e estudo técnico da Comissão que avalia o transporte na Cidade.

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