Quociente eleitoral e desgaste marcam trocas partidárias

Mais de dez políticos da Região Metropolitana Baixada Santista estão em novas legendas

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13 OUT 201323h09

Quociente eleitoral e desgaste no partido anterior. Esses foram os fatores que motivaram boa parte das trocas partidárias na Baixada Santista.

Embora não vão admitir, alguns políticos da Região mudaram de legenda basicamente de olho no quociente eleitoral, que é a quantidade de votos necessária para se eleger. Outros estavam sem clima em seus partidos.

Um claro exemplo de que o quociente eleitoral pesou na troca foi a mudança feita pelo deputado federal Beto Mansur, que deixou o PP após quase 20 anos, e migrou para o PRB, legenda do ex-candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomano. Mansur viu baixar seu potencial eleitoral nas últimas eleições e pode estar de olho no grande poder eleitoral de Russomano. Saindo candidato junto a Russomano, Mansur poderá ter facilitado sua reeleição, acreditando que o ex-candidato a prefeito da Capital possa ser grande puxador de votos.

Já o caso do deputado estadual Luciano Batista não é o quociente eleitoral. Ele vinha se indispondo com a cúpula de sua antiga legenda, o PSB, há anos, e encontrou no PTB seu refúgio. Apesar da troca, deverá repetir a mesma performance da última eleição, se quiser ser reeleito — ou seja, atingir cerca de 80 mil votos em 2014.

O recém-criado Partido Republicano da Ordem Social (Pros) seduziu vereadores como o presidente da Câmara de São Vicente, Fernando Bispo, que deixou o PSB, o vereador de Guarujá Gilberto Benzi, que saiu do PDT, e o de Cubatão Fábio Moura, ex-PSDB.

O quociente eleitoral e o desgaste marcam as trocas partidárias na Baixada Santista (Fotos: Matheus Tagé e Luiz Torres/DL)

O também recém-criado Solidariedade é a nova legenda dos vereadores vicentinos Eronaldo José de Oliveira, o Ferrugem (ex-PDT), e Paulo Lacerda, o Paulinho Alfaiate, que deixou o PSB. Quem também foi para o Solidariedade foi o ex-prefeito de Guarujá Farid Said Madi, que deixou o PDT.

Em Cubatão, uma das trocas mais comentadas foi a do vereador Adeildo Heliodoro, o Dinho. Ele chegou a atuar no secretariado da prefeita Marcia Rosa (PT) e deixou a legenda da estrela vermelha repleto de críticas à Administração Municipal, alegando que quem havia mudado de postura não era ele, mas o Governo Municipal.

Apoio a Alckmin

Outra mudança com repercussão na Baixada Santista foi a do ex-prefeito santista João Paulo Tavares Papa, que saiu do PMDB (legenda de seu tutor Oswaldo Justo) para ingressar no PSDB. Apesar de sempre ter declarado apoio ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), Papa (hoje diretor da Sabesp) foi muito criticado por deixar o PMDB, principalmente pelo presidente do diretório municipal, Marcus De Rosis, e pelo vereador Antônio Carlos Banha Joaquim (PMDB).

Papa já é visto como pré-candidato a deputado nas fileiras tucanas. Não se sabe, porém, se a uma vaga na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional.

Já a filiação do ex-deputado federal Vicente Cascione no PSB é curiosa. Ele não deixou o Democratas (DEM) por qualquer divergência — tanto é que a legenda é comandada em Santos pelos filhos Vicente Leme do Prado Cascione e Luciano Cascione — mas para atender um pedido do amigo Eduardo Campos, governador de Pernambuco e pré-candidato a presidente da República. Cascione não tem demonstrado intenção de ser candidato nas eleições 2014.