Quiosqueiros pedem mais informações sobre novo projeto de Praia Grande

Os permissionários acreditam que uma reforma já melhoraria o local e gostariam de um acordo para que ficassem responsáveis pela obra

Os quiosqueiros de Praia Grande estão preocupados com a falta de informação do projeto que vai reurbanizar os quiosques da orla da praia. Temendo o desemprego, os atuais permissionários querem mais informações sobre o novo ­projeto.

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No entanto, a situação dos mesmos está irregular desde 2008, quando o Ministério Público e o Poder Judiciário entenderam que, para a concessão, era preciso licitação prévia. 

“Temos certeza que vão derrubar os quiosques, tirando o emprego de muita gente”, lamenta Maria de Lourdes, gerente de um quiosque há 19 anos.

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Os permissionários acreditam que uma reforma já melhoraria o local e gostariam de um acordo para que ficassem responsáveis pela obra. Mas, segundo a prefeitura, isso não é possível por determinação judicial.

“A concessão inicial era de 10 anos e expirou em 2005. Uma prorrogação foi permitida, mas o Ministério Público (MP) e o Poder Judiciário entenderam que, para nova concessão, era preciso licitação prévia.

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Assim as concessões foram canceladas obedecendo à determinação judicial”, explica a Administração Municipal. 

Em entendimento com o MP, a Prefeitura formalizou Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) que permitiram aos titulares das concessões continuarem a trabalhar, até que todo o processo fosse finalizado. 

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Agora, com a assinatura de convênio com o SPU (Secretaria de Patrimônio da União), que passou a gestão das praias para o Município, a nova licitação irá sair e o processo poderá ser ­concluído.

“Vimos o projeto, mas não sabemos de nada, se vai ser por licitação, se vamos poder participar, nada”, reclama Marli ­Calegari, ­sócia de um quiosque.

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A legislação impede a concessão de privilégios a quaisquer licitantes, desta forma, por imposição legal os quiosqueiros não terão prioridade. Por outro lado, qualquer pessoa pode participar, incluindo os atuais donos.

Boatos

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Sem informações oficiais, diversos boatos circulam entre os trabalhadores.

“Dizem que uma firma grande vai assumir e depois alugar para gente”, relata Isonete Gonçalves, dona de um quiosque há 24 anos. 

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“Talvez eles nos deem licença para trabalhar, mas o equipamento não”, diz Maria de Lourdes. “Estamos vivendo só o dia de hoje, sem saber o que vai acontecer amanhã”, ­complementa.

Segundo a Prefeitura, apenas uma concessionária vencerá a licitação, que pode ser uma empresa, pessoa física individual ou pessoa física coletiva. O vencedor será responsável por assumir todo o projeto, podendo se consorciar da melhor maneira possível, desde que realize as obrigações do contrato.

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Ainda de acordo com a Administração Municipal, o edital está sendo elaborado pensando na hipótese de financiamento de carrinhos estilo ‘food truck’ aos quiosqueiros originários da época de permissão que não vierem a participar ou ganhar a licitação.

Desemprego

O principal temor dos quiosqueiros é o desemprego. De acordo com o presidente do Sindicato dos Ambulantes e Permissionários da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SINDPMEIMBS), Edson Emo Santana Barros, mais de 1.500 trabalhadores deverão ficar ­desempregados.

Isso levando em conta a temporada, época em que os 164 quiosques ficam abertos com cerca de dez funcionários cada.  

“Não são só os donos que vão ficar no prejuízo, são os empregados e os fornecedores também. Mas ninguém nos falou nada oficialmente. Nós sobrevivemos disso, vamos ficar desempregados”, diz, emocionada, Isonete.

Marli demonstra a mesma preocupação. “Cada quiosque tem dez trabalhadores. São dez famílias que vão ficar sem o ganha-pão”, ­lamenta.

A Prefeitura esclarece estar preocupada com a reinserção daqueles que trabalham nos quiosques e estuda para que seja prevista no edital a contratação dos atuais funcionários devidamente registrados nos quiosques.

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Informações oficiais

A previsão é de que o edital, ainda em elaboração, seja publicado em março.

Após a publicação deverá haver uma reunião pública com participação de todas as pessoas interessadas – não apenas ­quiosqueiros. 

Por conta do processo licitatório, é oficial que todos terão que sair. Os quiosqueiros serão avisados da desocupação por uma notificação da Administração Municipal. 

O objetivo da Prefeitura é de que, caso não haja nenhum problema na fase de edital, a contratação ocorra assim que o processo licitatório for finalizado.

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Os quiosques devem ficar prontos para o próximo verão. As obras serão de responsabilidade da empresa/consórcio ­vencedor. 

A licitação irá prever a forma para execução das obras.

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Projeto prevê mudanças na orla da praia

Os quiosques não são os únicos a serem remodelados. Toda a orla da praia, incluindo estruturas públicas, deve passar por ­modificações.

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“O projeto prevê a reforma, demolição ou revitalização das estruturas existentes, criando uma grande estrutura para comércio e prestação de serviços, totalizando 92 módulos”, informa a Prefeitura.

O número de quiosques cairá drasticamente, passando de 164 para 32. Mas, dos atuais 164, apenas 48 funcionam durante todo o ano. O restante abre apenas na temporada. Por isso, o presidente do Sindicato pretende tentar um acordo para aumentar o número de quiosques comerciais para 50. 

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Haverá ainda quatro quiosques para realização de eventos, que poderão ser públicos ou privados; e seis “Espaço Kids” – locais voltados para o lazer das crianças – que, observados de fora, terão o formato de ‘Cupcakes’. 

“A proposta é adequar a estrutura para melhor atender às necessidades do comerciante e do frequentador, ampliando e modernizando os espaços, além de criar locais diferenciados”, destaca o subsecretário de projetos especiais, Fernando Félix de Paula.

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A acessibilidade também está prevista no projeto, com rampas de acesso à faixa de areia, acessibilidade para carrinhos e pessoas com deficiência. “Isso se dará ao longo de toda orla, o que significa uma grande melhora e facilitação de acesso à praia”, diz o ­subsecretário.

Por fim, a reurbanização terá oito edifícios de apoio com duas salas e um com quatro salas; um apoio da Guarda Civil Municipal; três escolas de surf; oito postos de salvamento; 23 jardins com faixa de acesso à praia e seis Espaços “Palco” múltiplo uso.