Quiosqueiro pode pagar multa de R$ 11.400,00 em São Vicente

Auto de infração ocorreu no último domingo por causa de uma mesa. Penalidade atinge outros permissionários e deve gerar polêmica

A colocação de apenas mais uma mesa para atender um cliente pode custar R$ 11.400,00 para o quiosqueiro Marllon Campos de Oliveira, da Marllon Lanches, um dos permissionários do Itararé, em São Vicente. Apesar de legal, o auto de infração 0578, que pode gerar a multa, imposto às 15 horas do último domingo, dia 23, pode ser o estopim para um verdadeiro impasse entre os comerciantes e a Administração do prefeito Luis Cláudio Bili (PP).

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“Não teve acordo, mesmo eu retirando imediatamente a mesa adicional. A obrigação de fechar as portas à meia-noite também prejudica a gente”, desabafa Oliveira, que é presidente da Associação dos Permissionários e Ambulantes de São Vicente, que representa 53 dos 88 quiosqueiros do local. Ele acredita que alguns podem ‘quebrar’ se tiverem que pagar a multa.

Conforme revelado, a multa é amparada pelo artigo 242, da Lei 1.745/77. Ela representa três vezes o valor da licença, que é R$ 3.800,00. Se a multa não for paga, a licença não é renovada.

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Marllon só pode ter em seu quiosque 20 mesas. No domingo, ele havia colocado a 21ª. Segundo conta, outros já foram multados. Uma associada recebeu duas multas e terá que desembolsar R$ 22.800,00. “A lei determina que a terceira multa causa a perda da licença. Isso é complicado”, disse.

Prefeitura

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A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Comércio, Indústria e Negócios Portuários (Secinp), confirmou que a multa está baseada na Lei 1.745/77 do Código Tributário do Município; que a legislação dá direito a cada quiosque ter 10 mesas fixas e mais 10 adicionais e que a multa é realmente de R$ 11.400,00, mas cabe recurso. Revela, ainda, que existe um projeto na Câmara, ainda em trâmite, em que os quiosques paguem somente após 10 mesas acima do limite.

Banheiro continua fechado

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Enquanto os quiosqueiros são multados por colocar uma cadeira adicional, o banheiro público construído pela Associação dos Quiosqueiros do Itararé, no calçadão da praia que leva o mesmo nome, trecho da Avenida Ayrton Senna, em frente à Igreja São Pedro Pescador, permanece há meses fechado desde a conclusão da obra, segundo a associação.

Quiosqueiros afirmam que o equipamento nunca foi usado porque a Prefeitura não teria solicitado a ligação das redes de água e esgoto à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

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O comerciante Ernandes Oliveira Pimentel, o Careca, um dos que contribuiu para a construção do banheiro, havia garantido que se reuniu com o prefeito e obteve a garantia da abertura do equipamento. Porém, mês passado, a Prefeitura de São Vicente, por intermédio da Assessoria de Imprensa, informou que os técnicos da Secretaria de Obras e Meio Ambiente ainda estavam realizando um levantamento para apurar a situação do imóvel.

Careca informou que o banheiro foi construído porque o Ministério Público (MP) estava exigindo a remoção dos banheiros químicos da orla. “Como o Município estava sem verbas, o prefeito pediu para a associação erguer o equipamento, que foi entregue em fevereiro último, mas que está fechado por falta da ligação sanitária”, dizia Careca.

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O banheiro construído atenderá oito pessoas por vez — quatro mulheres e quatro homens. Além disso, possui um banheiro somente para atender pessoas com necessidades especiais. A manutenção ficará por conta da Prefeitura.