Cotidiano

Quem herdaria a Terra se os humanos desaparecessem? A resposta não é o que você imagina

Estudo de Oxford e Harvard aponta o animal de menos de 1mm que é praticamente indestrutível e resistiria a asteroides e supernovas

Nathalia Alves

Publicado em 02/02/2026 às 16:15

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Nem baratas, nem escorpiões: ciência revela qual é o ser vivo mais resistente da Terra, capaz de suportar até o vácuo do espaço. / Science Photo Library/IMAGO

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A vida na Terra não é um fenômeno frágil, mas uma força teimosa de persistência. Ao longo de 3,7 bilhões de anos, ela sobreviveu a erupções vulcânicas cataclísmicas, impactos de asteroides e cinco grandes extinções em massa, incluindo uma que exterminou 90% das espécies.

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Essa resiliência ancestral levanta uma questão incômoda para nossa espécie, se os humanos desaparecessem, quem herdaria o planeta?

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A resposta, segundo a ciência, não está nos cenários pós-apocalípticos da ficção. Nem baratas, nem escorpiões. O último sobrevivente da Terra seria um microanimal de oito patas, com menos de 1,2 milímetro: o tardígrado, também conhecido como "urso-d'água".

Resiliência que desafia a lógica

Os tardígrados são titãs da resistência. Relatados por publicações como a IFL Science, esses organismos microscópicos podem:
Sobreviver 30 anos sem comida ou água, suportar temperaturas do zero absoluto (-273°C) até 150°C, resistir a pressões esmagadoras no fundo do oceano e a doses de radiação centenas de vezes letais para humanos, permanecer expostos ao vácuo do espaço sideral.

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Seu segredo é um estado de animação suspensa chamado criptobiose. Em condições hostis, eles expelem mais de 95% da água do corpo, retraem-se e entram em um estado desidratado, podendo "ressuscitar" décadas depois.

Os tardígrados e o fim do mundo (de verdade)

Um estudo seminal de 2017, das universidades de Oxford e Harvard, testou a resistência dos tardígrados contra as três maiores ameaças astrofísicas imagináveis:

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Impacto de asteroides: Apenas um corpo celeste massivo o suficiente para ferver os oceanos (como Plutão) poderia exterminá-los. Nenhum objeto conhecido no Sistema Solar tem tal trajetória/ SuperStock/Imago Images
Impacto de asteroides: Apenas um corpo celeste massivo o suficiente para ferver os oceanos (como Plutão) poderia exterminá-los. Nenhum objeto conhecido no Sistema Solar tem tal trajetória/ SuperStock/Imago Images
Explosão de supernova: A estrela teria que explodir a menos de 0,14 anos-luzde distância. A estrela mais próxima, Proxima Centauri, está a 4,2 anos-luz/ Ales Utouka/CHROMORANGE/IMAGO
Explosão de supernova: A estrela teria que explodir a menos de 0,14 anos-luzde distância. A estrela mais próxima, Proxima Centauri, está a 4,2 anos-luz/ Ales Utouka/CHROMORANGE/IMAGO
Explosão de raios gama: O evento teria que ocorrer a menos de 40 anos-luz. A probabilidade é considerada ínfima/ rukanoga/Depositphotos/IMAGO
Explosão de raios gama: O evento teria que ocorrer a menos de 40 anos-luz. A probabilidade é considerada ínfima/ rukanoga/Depositphotos/IMAGO

Impacto de asteroides: Apenas um corpo celeste massivo o suficiente para ferver os oceanos (como Plutão) poderia exterminá-los. Nenhum objeto conhecido no Sistema Solar tem tal trajetória.
Explosão de supernova: A estrela teria que explodir a menos de 0,14 anos-luzde distância. A estrela mais próxima, Proxima Centauri, está a 4,2 anos-luz.
Explosão de raios gama: O evento teria que ocorrer a menos de 40 anos-luz. A probabilidade é considerada ínfima.

"Os tardígrados são os seres mais próximos da indestrutibilidade que existem na Terra", afirmou o físico brasileiro Rafael Alves Batista, coautor do estudo, em material da Universidade de Oxford.

A ameaça que vem de nós

Paradoxalmente, o maior risco imediato não vem do cosmos, mas da humanidade. Um estudo da Universidade do Colorado Boulder, publicado na AGU Advances, modelou que uma guerra nuclear em larga escala causaria um "inverno nuclear".

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A fuligem bloquearia a luz solar por uma década, levando a um resfriamento global abrupto de até 10°C e ao colapso da cadeia alimentar marinha.

"Se as algas [fitoplâncton] desaparecerem, tudo o mais desaparece também", alertou a oceanógrafa Nicole Lovenduski, coautora do estudo.

No entanto, mesmo esse cenário catastrófico não seria o fim para os tardígrados. Eles, provavelmente, entrariam em criptobiose e aguardariam a poeira baixar.

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Quando o Sol morrer

O capítulo final da vida na Terra está marcado para daqui a 5 bilhões de anos. Quando o Sol esgotar seu combustível e se expandir como uma gigante vermelha, sua radiação crescente evaporará os oceanos e tornará o planeta completamente inóspito. Esse será o fim até mesmo para os indestrutíveis ursos-d'água.

Até lá, os tardígrados seguem como um testemunho silencioso da tenacidade da vida e um espelho paradoxal para a humanidade. Enquanto nossa espécie depende de tecnologia e ecossistemas estáveis para sobreviver, eles carregam a resiliência em seu código genético. 

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