Cotidiano

Quatro mulheres mortas por dia: Feminicídios disparam e SP alcança maior número da série histórica

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, 27 mulheres foram assassinadas em janeiro de 2026 por questões de gênero

Ana Clara Durazzo

Publicado em 03/03/2026 às 09:00

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O cenário é a continuação de um recorde sombrio: 2025 encerrou como o ano mais violento para mulheres desde o início da série histórica em 2018 / Divulgação

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O estado de São Paulo inicia o ano com estatísticas alarmantes. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), 27 mulheres foram assassinadas em janeiro de 2026 por questões de gênero — um aumento de quase 23% em relação às 22 mortes registradas no mesmo período do ano passado.

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O cenário é a continuação de um recorde sombrio: 2025 encerrou como o ano mais violento para mulheres desde o início da série histórica em 2018, totalizando 270 vítimas.

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Por que o feminicídio é considerado um 'crime anunciado'?

Para especialistas como Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem/UEL), essas mortes raramente são eventos isolados. Elas são o desfecho de um ciclo de violência que inclui:

  • Violência Psicológica: Humilhações e controle excessivo.

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  • Violência Patrimonial: Retenção de dinheiro ou destruição de objetos.

  • Violência Emocional: Isolamento da vítima de seus amigos e familiares.

'O feminicídio resulta de relações íntimas e acontece após o agravamento de diversas violências tipificadas pela Lei Maria da Penha', explica Bertasso.

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O papel da 'Machosfera' e a falta de proteção real

A pesquisadora aponta dois fatores críticos para o aumento da violência:

  1. Redes Digitais: O avanço da 'machosfera', que dissemina conteúdos misóginos e radicaliza jovens.

  2. Falha nas Medidas Protetivas: Casos onde mulheres foram mortas mesmo após recorrerem à Justiça evidenciam a necessidade de políticas públicas de acolhimento mais eficazes.

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Recorde Nacional: 4 mulheres mortas por dia

O Brasil acompanhou a tendência paulista, atingindo a marca trágica de 1.518 vítimas em 2025. O número reforça a urgência de debates sobre educação de gênero nas escolas para interromper a cultura do machismo estrutural antes que ela se transforme em crime.

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