Cotidiano
No topo de uma serra em Itapipoca vive Seu Gonçalo (66) e Francisca Helena (49), que mantêm viva uma tradição que está desaparecendo: a vida em uma casa de taipa (barro e madeira)
Mas o que para muitos parece um cenário bucólico, para eles é uma luta diária contra o vento, a estrutura rachada e o isolamento / Israel Puro Sertão/ reprodução Youtube
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No topo de uma serra em Itapipoca, no interior do Ceará, o tempo parece ter parado. Ali, Seu Gonçalo (66) e Francisca Helena (49) mantêm viva uma tradição que está desaparecendo: a vida em uma casa de taipa (barro e madeira).
Mas o que para muitos parece um cenário bucólico, para eles é uma luta diária contra o vento, a estrutura rachada e o isolamento.
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O som do vento forte não é apenas trilha sonora; é um alerta. Com rachaduras visíveis e risco estrutural, a moradia que abriga a família há décadas pede socorro.
Apesar das dificuldades, a propriedade é um exemplo de sobrevivência e conexão com a terra. Sem os luxos da cidade, a família produz quase tudo o que consome:
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Pomar infinito: Manga, limão, acerola, banana e graviola colhidas no quintal o ano todo.
Doces artesanais: Francisca transforma a colheita em renda, vendendo cocadas e doces de leite por valores que ajudam a fechar as contas.
Peixe no Tanque: A família cria tilápias em um reservatório escavado no solo, que também serve para irrigar a plantação.
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A paz da serra tem um preço alto: o isolamento. O acesso é feito por uma trilha íngreme onde carros só sobem se o tempo estiver seco. Esse distanciamento reflete na vida financeira da família:
Bolsa Família Bloqueado: Sem celular e longe do centro urbano, Francisca luta para reativar o benefício após cinco idas frustradas ao CRAS.
O Tanque de R$ 1.200: A sobrevivência da horta depende de uma lona nova para o tanque de água. O custo de R$ 1.200 é hoje um obstáculo intransponível para quem vive da agricultura familiar.
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Saúde: Seu Gonçalo enfrenta dores na coluna e no joelho, aguardando auxílio enquanto tenta, sozinho, fazer pequenos reparos na casa que 'balança'.
Na casa de Seu Gonçalo, a modernidade entra com cautela. Mesmo com fogão a gás, a preferência é pelo fogão a lenha — 'cozinha mais rápido', diz Francisca. Até a esponja de lavar louça é cultivada ali mesmo: a bucha vegetal colhida no pé evita gastos no supermercado.