Quadrilha de piratas usa lancha para invadir navio perto do porto de Santos

Após o grupo deixar a embarcação Grande Francia, de bandeira italiana, foram encontrados nela 1.322 quilos de cocaína distribuídos em 1.202 tabletes, acondicionados em 41 bolsas esportivas

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13 AGO 2018Por Folhapress14h18
Neste ano, o volume de cocaína apreendida no porto de Santos -13,5 toneladas- já supera o total de todo o ano passado, graças a duas ações desencadeadas nos últimos cinco diasNeste ano, o volume de cocaína apreendida no porto de Santos -13,5 toneladas- já supera o total de todo o ano passado, graças a duas ações desencadeadas nos últimos cinco diasFoto: Divulgação

Ao menos quatro homens armados invadiram neste domingo (12) um navio que estava a cerca de 15 quilômetros do acesso ao porto de Santos.

Após o grupo deixar a embarcação Grande Francia, de bandeira italiana, foram encontrados nela 1.322 quilos de cocaína distribuídos em 1.202 tabletes, acondicionados em 41 bolsas esportivas. A investigação mostrará se a droga já estava no local ou se foi colocada pela quadrilha, principal hipótese em apuração.

Neste ano, o volume de cocaína apreendida no porto de Santos -13,5 toneladas- já supera o total de todo o ano passado, graças a duas ações desencadeadas nos últimos cinco dias.

Como a reportagem já mostrou, quadrilhas de traficantes que atuam no porto de Santos utilizam as mais variadas táticas para esconder a droga em contêineres que transportam produtos como açúcar, sal, café, miúdos de frango e até cabeças de suíno com focinho. 

O Grande Francia estava numa área aguardando a liberação para atracar em um terminal quando foi atacado. Policiais federais disseram que os homens chegaram ao local de lancha e utilizaram uma corda para subir no navio.

Ao perceberem a invasão, marinheiros avisaram o capitão e o grupo se escondeu na sala de controle, de onde foi disparado um alarme. O capitão então iniciou contato via rádio com outras embarcações e autoridades portuárias. 

A quadrilha deixou o local numa lancha, cerca de duas horas depois. Não houve feridos.

O comandante informou que dois contêineres tinham sido abertos pela quadrilha, mas neles nada foi encontrado. Em outros dois, foram encontradas as 41 bolsas esportivas com cocaína. Segundo policiais, algumas estavam molhadas, o que pode indicar que foram de fato levadas a bordo pela lancha com a quadrilha.

O navio, segundo a Receita Federal, tinha como destino o porto de Antuérpia (Bélgica). Os dois contêineres onde a cocaína foi encontrada foram embarcados em Zarate (Argentina) e acondicionavam amendoim.

Na quarta-feira (8), 1,2 tonelada da droga já tinha sido apreendida no porto. Com as últimas apreensões, já são 13,5 toneladas de cocaína somente neste ano no principal porto do país, volume que já supera todo o ano passado, quando foram flagradas 11,5 toneladas da droga.

A operação deste domingo envolveu PF (Polícia Federal), Receita Federal e Marinha.

O volume de apreensões no porto cresce a cada ano desde 2014, segundo dados da Receita. Dos 435 quilos da droga apreendidos naquele ano, o volume chegou a 1.049 no ano seguinte. Em 2016, alcançou 10,6 toneladas e, no ano passado, 11,5 toneladas.

As operações desencadeadas também cresceram. Em 2014, foram só 3, total que subiu para 5 em 2015 e 22, no ano seguinte. Neste ano, já são 27 operações, três a mais que o total do ano passado inteiro.

CÃES FAREJADORES

Em cinco dias, foram apreendidas 2,5 toneladas de cocaína. Na ação da última quarta-feira (8), agentes que atuam em Santos encontraram 1,2 tonelada da droga num navio, que tinha sido içada ao convés.

A apreensão ocorreu após análise de imagens de câmeras de monitoramento que flagraram uma pequena embarcação próxima ao navio atracado. 

Os contêineres suspeitos foram desembarcados e cães farejadores foram utilizados para a detecção da droga, que estava distribuída em 32 bolsas esportivas. Os contêineres transportavam arroz orgânico e sucata de aço e também seriam levados para Antuérpia.

A Abtra (Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados) diz apoiar todas as medidas legais e que as empresas exportadoras que atuam no porto são vítimas da ação das quadrilhas do tráfico.