Ano de 1996. Um grupo de ex-alunos da Escola Estadual Pastor Joaquim Lopes Leão, no Parque Bitaru, em São Vicente, decidiu participar de um concurso de quadrilhas promovido por um clube da cidade. Da ficha de inscrição nasceu o nome: Fazenda São Pedro. De lá para cá já são 20 anos levando alegria em inúmeros festivais pelo Brasil.
“A diretora da escola proibiu a quadrilha porque quando tinha ensaio os alunos saiam da aula. Em 1996, o grupo de alunos, que ficou conhecido como Arraial do Bitaru, montou a quadrilha para disputar o campeonato do Praia Clube. O grupo não tinha nome e um dos diretores do clube sugeriu Fazenda São Pedro na hora da inscrição”, contou Dinho Brito, atual presidente da quadrilha.
Brito, que é guarda municipal, conheceu a Fazenda São Pedro em 1999 e foi paixão à primeira vista. “Assisti a uma apresentação e acabei me apaixonando e pedi para participar. Comecei como ‘tapa buraco’. Em 2004, com o antigo marcador Anderson Mortadela faleceu e um grupo de quatro pessoas assumiu a quadrilha. Hoje estou como presidente e também sou o marcador”, destacou.
Atualmente a Fazenda São Pedro conta com 30 integrantes – 15 pares. A média de idade dos participantes é de 18 anos. A maioria reside em bairros da periferia de São Vicente como Parque Bitaru, onde fica a sede da quadrilha e ocorrem os ensaios, Vila Margarida e na Área Continental da cidade. São Vicente é considerada o maior polo de quadrilhas juninas do Estado de São Paulo.
“É tudo feito na raça. Trabalho de equipe mesmo. A gente faz festa, bingo, rifa – peço mesmo para os amigos ajudar. Esse ano ficamos em segundo lugar no festival de São José dos Campos”, destacou Dinho. As quadrilhas juninas do município não recebem incentivo financeiro do poder público. “O nosso maior desafio é colocar a quadrilha na rua. Infelizmente, em São Vicente, é difícil até fechar rua para fazer evento”, ressaltou.
O presidente da Fazenda São Pedro destacou que o grupo trabalha durante todo o ano para as festividades que ocorrem entre os meses de junho e agosto. “Termina uma temporada, a gente tira férias de um mês e já começa a pensar na próxima. Já escolhemos o tema do próximo ano”, disse Dinho. O tema desenvolvido pela quadrilha este ano é “Santo Antônio disse, São Pedro confirmou. 20 anos que São João mandou” e faz alusão às duas décadas de existência do grupo.
Cursos
Brito ressaltou que o grupo pretende desenvolver projetos de capacitação profissional para os jovens. Embora as nas competições a rivalidade entre as quadrilhas sejam acirradas, fora delas o desejo é de propiciar, por meio da atividade, oportunidade de profissionalização assim como já ocorre nas escolas de samba no carnaval.
“Estamos pensando em projetos. A gente trabalha o ano todo. Esse ano compramos as roupas, que vieram do nordeste. Os sapatos também são comprados. Seria muito melhor oferecer esses cursos e os próprios jovens envolvidos no projeto confeccionar o material. Está faltando costureiro e sapateiro no mercado de trabalho também”.
Participação. Carolline Cristina, de 16 anos, está no seu primeiro ano de participação na Fazenda São Pedro. Decidiu ingressar no grupo inspirada pela irmã, Ellen Cristina, de 13 anos, que dança na quadrilha desde o ano passado.
“Vi eles dançando no Jepom (ginásio de esportes) e me apaixonei. Me deram a oportunidade de dançar e estou até hoje”, disse Ellen, que é bailarina clássica. Ela e a irmã moram no Parque São Vicente.
Figurinos
Tatiani Andrade, de 25 anos, é a noiva da Fazenda Pedro. Além da posição que ocupa na quadrilha, é ela que também desenvolve o figurino, a maquiagem e os penteados que serão utilizados pelas bailarinas nas apresentações.
“Gosto de ver as quadrilhas de fora, me inspirar nos cabelos e desenvolver o figurino. Deixo de fazer muita coisa pela Fazenda São Pedro. Gosto bastante do que faço, por isso me dedico”, disse Tatiani.
Para participar ou ajudar a Fazenda São Pedro o contato é o (13) 99116-4016.
