Uma startup dos Estados Unidos, fundada por uma jovem de apenas 21 anos, surpreendeu o mercado de tecnologia e saúde feminina. A Clair Health, sediada em São Francisco, recebeu um aporte de US$ 11,6 milhões (cerca de R$ 4,1 bilhões) para desenvolver uma pulseira capaz de monitorar alterações hormonais em tempo real sem procedimentos invasivos.
A empresa foi criada por Jenny Duan e Abhinav Agarwal, dois ex-alunos da Universidade Stanford que decidiram transformar pesquisas sobre biometria e inteligência artificial em uma ferramenta voltada à saúde da mulher.
Como funciona a tecnologia?
A proposta é acompanhar o ciclo hormonal em tempo real por meio de um dispositivo semelhante a uma pulseira fitness. Segundo a Clair Health, o equipamento utiliza dez biossensores diferentes para coletar dados fisiológicos, como temperatura da pele, variabilidade da frequência cardíaca e atividade elétrica cutânea.
As informações são processadas por sistemas de inteligência artificial que tentam identificar oscilações hormonais relacionadas a substâncias como estrogênio, progesterona, LH e FSH. A empresa diz que o modelo foi desenvolvido com base em mais de 130 biomarcadores próprios.
A tecnologia alcança até 94% de precisão na identificação das diferentes fases do ciclo menstrual. No entanto, este índice foi comparado a testes de urina usados para detectar ovulação, e não a exames laboratoriais de sangue, considerados a principal referência para avaliação hormonal.
É preciso ter cautela?
Apesar da inovação, alguns especialistas destacam que a tecnologia ainda não possui validação científica independente. Até o momento, não foram publicados estudos revisados por pares que comprovem a eficácia do sistema. Uma pesquisa ligada à Universidade Stanford está em andamento, mas seus resultados ainda não foram divulgados.
A Clair Health também afirma estar desenvolvendo uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de identificar em qual fase do ciclo menstrual uma mulher se encontra apenas por meio da análise de padrões da voz durante uma breve conversa. A proposta, ainda experimental, é considerada uma das apostas mais ousadas da empresa.
No longo prazo, a startup pretende expandir o uso da tecnologia para acompanhar a perimenopausa, auxiliar no ajuste de terapias hormonais e oferecer suporte a condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP) e a endometriose, doença que enfrenta atrasos no diagnóstico.
Previsão de lançamento
A previsão é que a pulseira seja lançada nos Estados Unidos ainda este ano como um produto voltado ao bem-estar. A empresa pretende buscar posteriormente a aprovação da agência reguladora norte-americana FDA para aplicações médicas.
Segundo informações divulgadas pelo TechCrunch, o dispositivo deverá custar US$ 369 (cerca de R$ 2 mil), além de uma assinatura mensal de US$ 9,99 para acesso aos recursos da plataforma.






