Com mais de 120 mil habitantes, a Área Continental de São Vicente ainda está longe do caminho do desenvolvimento. A densidade populacional conflita com o acesso aos serviços e à infraestrutura.
Pensando ampliar a representatividade na Câmara Municipal, o Partido Social Democrático Cristão (PSDC) organiza uma chapa apenas de pré-candidatos que residem e conhecem os problemas daquela região. A iniciativa já é chamada de ‘puro sangue’.
“A ideia surgiu através de pesquisas que apontaram que aproximadamente 30 mil votos da Área Continental serviram para eleger candidatos de fora daquela região. A proposta é fortalecer a Área Continental, pois todos conhecem as dificuldades e as vivenciam diariamente. É a primeira vez que um partido se propõe a montar uma chapa pura”, disse Caio Borelli Zeller, presidente do PSDC.
Zeller é cirurgião dentista e atua há 10 anos na Área Continental. Decidiu assumir a tarefa de organizar a chapa, pois convive com os moradores e seus problemas. “A ideia é semelhante as frentes parlamentares.
Mostrar que estamos unidos. Todos que estão se colocando à disposição já atuaram com a comunidade”, afirmou. A chapa será composta por 23 nomes.
Entre as principais propostas do PSDC está a ativação do Hospital do Humaitá, reforço nos serviços de zeladoria, fortalecimento da subprefeitura da Área Continental e ampliação nos investimentos em educação.
Ideias
Erique Luiz, de 28 anos, é um dos pré-candidatos do PSDC. Prestes a participar de sua primeira eleição, o morador do Parque das Bandeiras defende propostas que incentivam a educação ambiental e reforcem a fiscalização do descarte indevido de resíduos sólidos. “É um problema muito grande na nossa cidade, principalmente na Área Continental. Poderia utilizar os terrenos vazios para o cultivo de hortas, por exemplo, e os moradores ganham redução no IPTU. Parceria com universidades também seria interessante”, destacou o jovem.
O experiente Nadi Alves, de 60 anos, defende a instalação de uma usina de reciclagem na Área Continental. “Gera emprego e renda e preserva a natureza. O material utilizado na reforma da Ponte Pênsil, por exemplo, é reciclado. Entulho da construção civil temos muito na Área Continental e pode ser reaproveitado. Não queremos lixão, mas uma usina de reciclagem”, afirmou o morador do Parque das Bandeiras.
Beth do Rio Negro disputará a eleição pela segunda vez. A líder comunitária disse que as mães da Área Continental precisam de atenção. “É necessário uma creche noturna. Muitas mães trabalham a noite e não têm onde deixar seus filhos. A Câmara precisa fazer mais o seu papel. Responsabilizar secretários e prefeito pelas coisas erradas e não feitas”, afirmou.
A agente de saúde Isa Portapila, de 25 anos, defende ações em sua área de atuação. “É necessário reforçar a prevenção na saúde. Não temos na Área Continental um local que possa dar continuidade aos trabalhos de prevenção. Não há um espaço que possam ser realizadas palestras e oficinas para atender crianças, por exemplo”, disse a moradora do Parque das Bandeiras, que disputará sua primeira eleição.
Glebson Macena destacou a necessidade de fortalecer o terceiro setor. “Acredito que as associações e cooperativas têm que ter força e apoio. A área do turismo da nossa cidade também precisa ser olhada.
Fazer a revisão do ISS, discutir a isenção para alguns setores. E também é importante observar os impactos dos projetos habitacionais na Área Continental. Jogam o pessoal lá, mas não dão suporte. Não tem saúde, educação, transporte. Não consigo ver melhorias se não tiver a unificação das secretarias”, disse o morador da Gleba II.
