Proposta de sentido único na Ponte Pênsil gera polêmica entre vereadores e moradores

Associação diz que alterações prejudicarão a população do Parque Prainha e Japuí; Prefeitura afirma que não há projeto sobre o tema

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09 MAI 2017Por Diário do Litoral10h00
Sugestão proposta por vereadores é de mão única em horários de pico; proposta causou polêmica nos bairrosSugestão proposta por vereadores é de mão única em horários de pico; proposta causou polêmica nos bairrosFoto: Matheus Tagé/DL

A possibilidade de alterações no fluxo – adoção de direção única nos horários de pico - da Ponte Pênsil, em São Vicente, causou grande polêmica entre moradores dos bairros Japuí e Parque Prainha e vereadores na Câmara Municipal. Dois parlamentares defendem medidas para minimizar impactos no trânsito. Um rejeita qualquer tipo de proposta. A Prefeitura de São Vicente diz que não há nada certo.

“Ninguém nos procurou. Soubemos pela veiculação de publicidade nas redes sociais de dois vereadores. Isso causou indignação e perplexidade nos moradores. A medida vai afetar a vida dos moradores que não poderão se locomover nesses principais horários. Disseram que vão marcar uma audiência pública, mas até agora não tivemos informação”, disse Ricardo Monteiro, vice-presidente da Sociedade de Amigos do Bairro Parque Prainha.

Segundo Monteiro, caso a medida seja adotada, os moradores dos bairros Parque Prainha e Japuí serão penalizados.

“Em dias de chuva a Avenida Tupiniquins, que prioriza o trânsito local, alaga. Todo serviço de encomenda e transporte com destino aos bairros será afetado. Vai aumentar o trajeto para os moradores. São 8 km para acessar o Japui pela Avenida Capitão Luis Pimenta. Qual o benefício para São Vicente? Vai melhorar a vida do morador de Praia Grande que trabalha em Santos”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente da entidade, as vias que dão acesso à Ponte Pênsil não têm condições de receber um fluxo maior.

“A qualidade do asfalto já não é boa. Vão aumentar o trânsito, beneficiar outro município e o ônus ficará para São Vicente mais uma vez. O desgaste do viário, por exemplo, não será compensado, uma vez que quem passa pela ponte não vai usar o comércio da cidade. Está apenas de passagem”, destacou.

Monteiro espera que haja bom senso do poder público. “Vamos sensibilizar os vereadores que não pensaram o que essa medida pode trazer de consequência aos moradores. Estamos aguardando uma conversa, até porque o primeiro caminho é o diálogo”, afirmou.

Procurada, a Prefeitura de São Vicente informou que não há projeto em curso na Secretaria de Transportes para alteração do fluxo na Ponte Pênsil, e que todas as indicações e sugestões encaminhadas pelo Legislativo ao Executivo são analisadas e estudadas.

Sugestões geram debate entre vereadores na Câmara

A primeira indicação na Câmara Municipal sugerindo alterações no fluxo da Ponte Pênsil foi do vereador Higor Ferreira (PSDB). Em seguida, o colega de partido vereador Felipe Rominha também apresentou trabalho com objetivo parecido. Morador do Japuí, o vereador Dercinho, o Negão do Caminhão (PMDB) foi contrário à proposta dos pares. O tema já foi alvo de debates nas sessões.

“Fizemos uma indicação ao prefeito para fazer um estudo do trânsito caótico naquela região. A Secretaria de Transportes está em contato conosco para fazermos um estudo junto. Ainda não há nada definido. Também estamos pensando em fazer uma audiência pública com os moradores do Parque Prainha e Japuí para discutir a questão”, afirmou o vereador Felipe Rominha.

A indicação feita pelo parlamentar sugere mão única sentido São Vicente, entre 6 e 10 horas. Já no período entre 17 e 20 horas, fluxo único com direção a Praia Grande. Nos demais horários, o trânsito voltaria a operar em ida e volta pela ponte.

O vereador Higor Ferreira disse que é preciso diálogo com os moradores, mas ressalta a necessidade de intervenções no sentido de melhorar a mobilidade urbana.

“A nossa proposta inicial, que foi apresentada por indicação no dia 17 de fevereiro, era de fluxo de mão única apenas no final da tarde das 18h às 20h. Mas também sugere a sincronização semafórica na região, o que acredito ser o mais viável. O nosso intuito é melhorar a mobilidade, porque o trânsito fica parado entre a Biquinha e o Gonzaguinha tendo reflexos inclusive no Itararé. Acho a discussão saudável e os moradores devem ser ouvidos com certeza”, afirmou.

Já o vereador Dercinho, o Negão do Caminhão é mais radical. Ele disse que a medida de adotar mão única nos horários de pico for aprovada haverá mobilização e protesto.

“A ideia é não deixar que isso aconteça. Vai inviabilizar a locomoção dos moradores. Já não tem Pronto-Socorro no período noturno. Como fica as ambulâncias em uma situação dessas? O meu posicionamento é contrário a qualquer mudança e acredito que 90% dos moradores também sejam. Se isso acontecer vamos mobilizar e fazer protesto. Já conversei com o prefeito e o secretário e eles disseram que nada farão sem conversar com os moradores”, destacou.