Propaganda eleitoral gratuita não agrada munícipes

No total, serão 35 dias de propaganda – dez a menos que antes da aprovação da Reforma Eleitoral de 2015 (Lei 13.165/2015)

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31 AGO 2018Por Rafaella Martinez10h49
A propaganda eleitoral gratuita começa a ser divulgada no rádio e televisão para todo o país hojeA propaganda eleitoral gratuita começa a ser divulgada no rádio e televisão para todo o país hojeFoto: Reprodução

A propaganda eleitoral gratuita começa a ser divulgada no rádio e televisão para todo o país hoje. Durante o primeiro turno, o conteúdo político será veiculado até 4 de outubro, três dias antes de os eleitores comparecerem às urnas. No total, serão 35 dias de propaganda – dez a menos que antes da aprovação da Reforma Eleitoral de 2015 (Lei 13.165/2015).

Instituído pela lei Nº 4.737 de 15 de julho de 1965, a propaganda eleitoral na Rádio e na TV parece não agradar os munícipes em 2018. Nas ruas, a população afirma que o método não  é eficaz.

Na visão do técnico de informática Maurício da Silva, o espaço serve apenas para propaganda, sem mostrar efetivamente as ideias. “Só mostram o lado bonito e ficam fazendo mil e uma promessas. Acho um absurdo as emissoras precisarem ceder espaço para esse monte de mentira disfarçada de promessas eleitorais”, conta.

A opinião é semelhante a da autônoma Margarete dos Santos, que afirma que a veiculação do material não fará diferença na hora do voto. “Não vou assistir as mesmas ladainhas de sempre. Tudo vira piada nesse país e a eleição é uma dessas coisas. Vou anular meu voto como um ato de protesto. É triste ver que nós lutamos tanto por democracia, mas não soubemos fazer nada de bom com ela”, destaca.

A definição quanto aos dias de exibição das campanhas leva em conta o cargo em disputa. Os programas dos presidenciáveis irão ao ar às terças-feiras, quintas e aos sábados. No rádio, das 7h às 7h12min30seg e das 12h às 12h12min30seg. Na televisão, das 13h às 13h12min20seg e das 20h30 às 20h42min30seg.

Nestes mesmos dias, serão transmitidas as propagandas dos candidatos a ­deputado federal. 

Já a publicidade dos que concorrem aos governos estaduais e do Distrito Federal, bem como ao Senado e a deputado estadual e distrital será exibida às segundas-feiras, quartas e sextas. Nos domingos, não haverá propaganda eleitoral.

O auxiliar administrativo Kaio Adriel é a favor da propaganda, mas acredita que os candidatos deveriam ter o mesmo tempo na TV para apresentar as propostas. “Acho que é um bom caminho para conhecer melhor os candidatos, mas as pessoas precisam ter educação política para distinguir o que é verdade e o que é não é para não acreditar cegamente em tudo o que falam”, conta.

Para o arquiteto Cristian Benneti, o modelo precisa ser reformulado. “Precisamos de informações mais claras, sem ser propaganda puramente e sim um espaço para mostrar as propostas para o público que não tem acesso à internet, por exemplo”.

Juntos, os programas dos candidatos à Presidência da República ocuparão dois blocos de 12 minutos e 30 segundos cada, totalizando 25 minutos a cada dia de exibição. Mesmo tempo destinado à propaganda do conjunto de candidatos a deputado federal. Os que concorrem aos cargos de governadores dividirão 18 minutos de campanha no rádio e na TV. Tempo igual ao destinado aos candidatos a deputados estaduais e distritais. Já os que concorrem ao Senado aparecerão em dois blocos de 7 minutos cada.

Para a cozinheira Keila Cristina, a propaganda na TV é benéfica principalmente para que ela possa conhecer melhor os candidatos à Assembleia Legislativa e para Câmara Federal. “Os cargos maiores a gente consegue acompanhar os debates, mas sinto falta de conhecer os deputados e acho essa uma ótima oportunidade, mesmo que seja rapidinho”, conta.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 28.306 pessoas registraram suas candidaturas. São 13 candidatos presidenciais; 199 concorrentes ao cargo de governador; 353 aspirantes ao Senado; 8.346 candidatos ao cargo de deputado federal; 17.512 a deputado estadual; 963 a deputado distrital e 353 ao Senado – que, este ano, renovará dois terços dos atuais senadores. Ou seja, 54 candidatos serão eleitos.