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Projetos convidam a enxergar a natureza em meio à cidade

No cinza do concreto urbano, o verde nos aproxima de uma vida mais simples

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01 MAI 2019Por Thaís Moraes08h01
Para Nara e Jota, ideia veio após um curso de permaculturaFoto: Nair Bueno/DL

Você caminha pela cidade onde mora ou trabalha? Se a resposta for sim, o que enxerga? No que presta atenção? Pode ser que a pressa, o celular e as preocupações desviem o olhar e você deixe de ver os detalhes da cidade.

Em alguns locais basta abrir os olhos para vê-la. Em outros, ela não está escondida, mas é preciso treinar a visão. O casal morador de Santos Nara Assunção e Jota Amaral, ela, jornalista e fotógrafa e ele, produtor cultural, escolheu enxergar a natureza onde quer que passem. Já encontraram o verde dos mais variados tipos de plantas em rachaduras de muros, telhados de imóveis abandonados, calçadas destroçadas, bueiros, fiações elétricas, enfim, em qualquer lugar que alguma muda de planta queira crescer.

Essa mudança foi o que fez brotar, em janeiro de 2017, o projeto Jardim Concreto, que reúne no Instagram (@jardimconcreto) fotos de manifestações da natureza que os olhos humanos não enxergam mais com tanta nitidez.

É importante dizer que nos dias de hoje, ao mesmo tempo em que é fácil perder esse olhar, também é possível corrigi-lo. Para Nara e Jota, as lentes de correção vieram depois de um curso de permacultura feito no interior de São Paulo.

Criada na década de 1970 na Austrália, a permacultura possui três éticas: cuidar da terra, cuidar das pessoas e cuidar do futuro. Hoje é considerada uma ciência holística e de cunho socioambiental, que agrega o saber ancestral com o saber científico,visando a permanência do homem como espécie na Terra.

"A permacultura é perfeita quando você mora no interior, tem contato com o mato, com a terra. Mas, e quando mora na cidade? A primeira coisa que pensamos foi como trazer isso para a vida urbana", conta o produtor cultural.

Para quem nunca ouviu falar na expressão pode achar que é difícil aplicar no dia a dia, mas se vir de perto, a coisa é mais simples do que parece: "Passamos a plantar nossos próprios temperos, fizemos uma composteira (reciclagem de resíduos orgânicos para transformar em adubo), diminuímos o consumo, começamos a cozinhar mais e hoje percebemos mais a natureza que nos rodeia, por isso o projeto", diz Nara.

E além de embelezar o cinza da cidade, o verde também provoca reflexões. "Embaixo do concreto, de onde menos se espera tem vida. É muito bacana captar esses sinais de quanto a natureza é resiliente e insiste em sobreviver. Acho que isso traz lições para nós", observa Jota.

Permacultura Urbana

O interesse por essa ciência holística despertou tanto interesse que eles abriram as portas do Estúdio Lobo, espaço cultural que possuem, para que profissionais da área deem cursos sobre o tema.

Neste mês de maio, nos dias 14 (18h30 às 21h30); 18 (9h às 12h) e 21 (18h30 às 21h30) será realizado o 2º Módulo do 1º Curso de Introdução à Permacultura Urbana, promovido pela equipe do Projeto Verde Mato.

"O curso mostra como esse mundo é possível na cidade, com metodologias adaptadas do campo. Vamos abordar o plantio de temperos, hortaliças, Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCS) e ervas medicinais; recomendações e uso de composteiras; importância dos 4 R's (repensar, reduzir, reutilizar e reciclar); práticas que atuem na saúde e bem-estar, incentivo à economia colaborativa e ao consumo de produtos de artesãos da região", explica a mestra em Ciências Ambientais e professora de permacultura, Naiara Torres dos Santos.

Adepta da prática desde 2016, a gestora ambiental tem certeza que a permacultura pode mudar a concepção de mundo que as pessoas têm. "Os conceitos vêm das tradições dos povos ancestrais, de como a gente pode viver em harmonia com o meio ambiente. Permacultura não é só planta, é tudo que envolve o nosso viver, inclusive o cuidado da saúde e da mente", esclarece.

O investimento para os três encontros é de R$ 100 e o avulso é de R$ 40. O curso também oferece vaga social, com número de bolsas de estudos que variam de acordo com o número de inscritos. Para concorrer é preciso ser morador da Baixada Santista e comprovar carência socioeconômica. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail: [email protected] ou com Naiara (13) 9 9754-9576 e Natasha (13) 9 8128-0836.

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