Projeto Ecobarreira quer despoluir Rio do Poço, em Itanhaém

Iniciativa, que funciona há cerca de um ano e meio, já recolheu mais de dez mil unidades de materiais jogados no Rio do Poço, no bairro Belas Artes

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06 SET 2021Por Nayara Martins07h00
Henrique mostra como funciona a ecobarreira no rio do Poço. Entre os objetos recolhidos estão isopor, garrafas pets e caixas de leiteHenrique mostra como funciona a ecobarreira no rio do Poço. Entre os objetos recolhidos estão isopor, garrafas pets e caixas de leiteFoto: Nair Bueno/DL

Colaborar para diminuir a poluição do rio e conscientizar as pessoas a não jogar lixo no Rio do Poço, em Itanhaém. Essa é a intenção do projeto Ecobarreira Itanhaém, desenvolvido num trecho do rio, no bairro Belas Artes, há um ano e seis meses, por um grupo de ex-estudantes da Etec do município. Vale lembrar que, em março, a população da cidade cobrou a reforma da ponte do rio.

Quem explica como surgiu a ideia para desenvolver o projeto é o técnico em Meio Ambiente Henrique Beckner Fernandes, de 33 anos.

“A ideia já era desenvolvida por Diego Saldanha, no rio Atuba, no estado do Paraná, e adaptamos o projeto no Rio do Poço, em Itanhaém. Usamos apenas dois pontaletes de madeira para fixar, uma mangueira de incêndio e 60 galões de água mineral instalados em sequência”, conta. Todos os materiais utilizados foram doados por comerciantes e pessoas conhecidas.

O grupo começou o projeto em fevereiro de 2020, que resultou em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no final do curso de Técnico em Meio Ambiente, na Etec. Além de Henrique, fizeram parte do grupo Flávio Filho, Samuel Santos e João Malavolta, fundador da ONG Ecosurfe do município. A orientação do TCC foi feita pelos professores Tadeu Dantas e Júlio Borges.

Henrique explica que eles escolheram instalar a ecobarreira no Rio do Poço, pelo fato de o rio cortar a cidade por cerca de 14 quilômetros, passando por vários bairros do município.

“Também porque o trecho do rio faz divisa com uma área de mangue, que é um berçário onde muitas espécies de peixes fazem a desova. Além de ser uma área de preservação importante e rica em biodiversidade, já que vários animais utilizam o mangue para se alimentar”, destaca.

Com aproximadamente 14 quilômetros, o Rio do Poço nasce na divisa com Peruíbe, corta mais de 30 bairros, e vai desaguar no Rio Itanhaém. É o rio mais extenso de toda a bacia hidrográfica do município.

Conscientizar

Entre os principais benefícios, o projeto busca conscientizar as pessoas a não descartar o lixo, de forma incorreta, nos rios ou nas ruas. E trabalha para que os moradores colaborem com a reciclagem de materiais e coloquem o lixo nos dias certos da coleta de lixo urbano.

“Nossa ideia inicial é trazer grupos de alunos para conhecer o projeto ou levar o projeto até as escolas públicas. As crianças poderiam ver de perto os galões e gravar a mão com tinta em cada um e, ao passar no rio, elas poderiam sentir que fazem parte do projeto”.

A ação já coletou, desde o início em 2020, mais de dez mil unidades de objetos jogados no rio. Entre eles, estão isopor, plástico, garrafas pets, além de embalagens de leite, de remédios e de uso de higiene pessoal, roupas femininas, entre outros.

A coleta do material, segundo Henrique, é feita três vezes por semana, por ele e mais dois voluntários que ajudam no trabalho – Samuel Santos e Leandro Gomes.

“O lixo recolhido é descartado direto ao aterro sanitário da Cidade. Alguns objetos recicláveis também separamos e deixamos para um catador de coleta reciclável, o Gustavo, que passa toda semana no local e já recolhe o saco com o material”, esclarece.

Planos

Sobre os planos futuros, Henrique afirma que gostaria de contar com mais voluntários e orientar os moradores a fazerem a reciclagem e o descarte correto dos resíduos sólidos.

“Outra iniciativa é firmar uma parceria com a prefeitura de Itanhaém para poder divulgar melhor o projeto às crianças das escolas da rede municipal. E contar com a colaboração de apoiadores para obter o material necessário à coleta do lixo, como luvas e sacos de lixo”, completa.

A intenção do grupo é também desenvolver o projeto em outros rios que cortam a bacia hidrográfica de Itanhaém, mas em trechos que não sejam navegáveis, para que as barreiras não precisem ser retiradas.
Interessados em conhecer e apoiar o projeto Ecobarreira Itanhaém podem entrar em contato com Henrique, pelo telefone 13 99154.1078.