A Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), desenvolvido pela Polícia Militar (PM) nas escolas, formou mais uma turma de estudantes na Área Continental de São Vicente. A solenidade reuniu ontem (24) cerca 800 pessoas, no Ginásio de Esportes Dr. Luiz Gonzaga de Oliveira Gomes, no Jardim Rio Branco. O evento contou com apresentação de dança de alunos do Centro de Convivência e Formação (Cecof) Humaitá.
“Nós temos que dizer não às drogas porque elas fazem mal”, disse João Vitor, de 10 anos. Aluno do 5º B da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Mario Covas, o estudante, que mora no bairro Samaritá, integra essa turma de formandos do Proerd. Ele disse que quer ser policial. “Vou ser policial para salvar a vida das pessoas”.
Diogo Oliveira, de 11 anos, é da sala de João Vitor. O estudante, que mora no Parque das Bandeiras e tem o sonho de ser minerador, disse que vai sentir saudade das aulas do programa. “Eles (os instrutores) eram engraçados. Aprendi que tem que dizer não às drogas e não praticar a violência”.
Letícia, de 11 anos, estudante do 5º ano da EMEF Jorge Bierrenbach destacou a interação com os policiais que atuam voluntariamente no programa. “Eles são divertidos e nos falaram sobre como não usar drogas e de educação também. O professor Arantes é como um pai pra mim. Ele dá conselhos para todo mundo da sala”, afirmou.
Dedicação
O cabo Arantes, citado pela menina Letícia, atua há oito anos no Proerd. Muitas crianças que assistiram suas palestras já são adultas. Ele se orgulha quando reencontra esses jovens e eles relembram os aprendizados – que são mútuos – em sala de aula. “Gosto de crianças e acho que devo tentar fazer a diferença na vida delas. Aprendo todos os dias com eles. A ser companheiro e mais humano. A incentivar os acertos e não castigar os erros deles. Toda hora estou aprendendo”, destacou.
O soldado Figueiredo atua como instrutor do Proerd há quatro anos. Ele destacou a forma como são recebidos nas escolas. “Somos diferentes do ambiente escolar. E por sermos diferentes precisamos ter um contato diferenciado. Não entramos armados. Somos recebidos bem por eles, que costumam ser carinhosos e bem sinceros”, afirmou.
A soldado Caroline Dias é a mais nova integrante da equipe de instrutores do Proerd de São Vicente. Optou por sair das ruas para atuar no programa. “Foi uma escolha minha me voluntariar e está sendo uma experiência especial esse contato com as crianças. Um ambiente diferente das ruas. A visão do policiamento comunitário é maravilhosa”, destacou.
Cadeiras
O Proerd é desenvolvido em escolas privadas e públicas do município com a parceria da Secretaria Municipal de Educação. No entanto, a solenidade de ontem não contou com a participação de representantes do Executivo. Nem mesmo a solicitação feita pela corporação para a realização do evento foi atendida de forma plena. Os estudantes participaram da solenidade sentados no chão.
A Reportagem apurou junto aos policiais que foi enviado ofício com antecedência solicitando 400 cadeiras para o evento, no entanto, foram enviadas apenas 100. “Solicitamos com antecedência as cadeiras. As crianças tiveram que sentar no chão neste frio. Não veio ninguém da Educação. A Prefeitura falhou, infelizmente”, afirmou um dos agentes.
Diário do Litoral recebe homenagem
Durante a solenidade, o 39º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), onde está lotada a equipe que atua com o Proerd, em São Vicente, homenageou o Diário do Litoral, por meio da repórter Daniela Origuela, pelo apoio prestado ao projeto. A corporação também homenageou o proprietário de um gráfica da cidade.
“Ajudo porque eles não têm o apoio necessário do governo. É um projeto muito bonito, que trabalha com prevenção, e que merecia a contribuição de todos”, afirmou Cristiano Barroso. Ele é proprietário da Art Gráphica, que há dois anos apoia o trabalho desenvolvido pelos policiais no Proerd.
