Procura por apartamentos compactos poderá influenciar oferta

A tendência no mercado imobiliário é de estabilidade nos empreendimentos grandes

Comentar
Compartilhar
09 SET 201111h09

Em quatro anos, a Baixada Santista ganhou 20.542 novas residências e os valores dos imóveis subiram 48%. Agora, o mercado imobiliário tende a estabilizar. A construção de apartamentos maiores deve desacelerar, mas a Região poderá ter um ganho maior de apartamentos compactos. O diretor regional do Secovi-SP na Baixada Santista, Renato Monteiro, explicou que o boom imobiliário e a valorização dos imóveis de todos os tamanhos, preços de venda e padrões, foi impulsionada pelo aumento da renda da população e pelas facilidades de financiamento. Entretanto, o momento agora é de desaceleração porque os preços dos imóveis subiram demais. Segundo Monteiro, a construção de novos empreendimentos residenciais maiores e mais caros tende a diminuir e os compactos a crescer.

Na análise de Monteiro, os preços dos imóveis residenciais não devem cair, mas estabilizar. Entretanto, apontou que existe uma forte procura por apartamentos compactos de um ou dois quartos, que são mais baratos. “A construção de flats e apartamentos compactos a partir de 40m² ainda é incipiente na Baixada, mas há uma demanda grande de gente procurando imóvel mais barato. São pessoas em condições de morarem sozinhas, ou que querem sair do aluguel”. Mas, Monteiro ressaltou que a expansão dos apartamentos compactos de alto padrão na Região, ainda é suposição. Ele explicou que não é possível fazer previsões para o mercado imobiliário.
 
Segundo a última pesquisa do mercado imobiliário da Baixada Santista, feita pelo Secovi-SP, que levantou todos os lançamentos residenciais de fevereiro de 2007 a abril de 2011, houve grande procura por imóveis de menor metragem e menos dormitórios, na faixa de R$ 130 mil a R$ 200 mil, com venda mensal de 47%. A pesquisa foi feita nas cidades de Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande. Neste período foram lançadas 20.542 unidades residenciais verticais e horizontais, de todos os tamanhos, valores e padrões, nessas quatro cidades. A maioria dos lançamentos foi de dois dormitórios. São 8.801 unidades, que representam 42,8% dos novos lançamentos. A segunda maior oferta foi de imóveis de três dormitórios, com 7.523 unidades (36,6%), de um dormitório somam 2.125 unidades (10,3%) e de quatro dormitórios, 2.093 unidades (10,2%). Os tamanhos variam de 45m² a 65m², 66m² a 85m² e de 86m² a 130m², com predominância da última faixa, que corresponde a 37% dos novos lançamentos.

Zona Noroeste

Os empreendimentos clubes residenciais, ou seja, edifícios com área de lazer, chegaram para ficar no mercado imobiliário de todo o país. Na Zona Noroeste de Santos, os apartamentos do primeiro empreendimento clube, devem começar a ser entregues nos próximos dias 26 e 27 deste mês. São apartamentos compactos e mais baratos na comparação com os demais lançamentos localizados em áreas nobres da Cidade. O Boulevard do Parque, situado na Avenida Afonso Schimidt (Estradão), no bairro da Areia Branca, tem cinco torres com 500 apartamentos compactos de dois e três dormitórios. Os imóveis variam de 53m² a 69m² com preços de R$ 187.610,00 a R$ 265.600,00. Os apartamentos de dois e três dormitórios de 61m² e 69m², respectivamente, têm suíte.

Esse empreendimento confirma a pesquisa do Secovi-SP, sobre a liquidez de imóveis compactos e mais baratos. A pesquisa considerou imóveis de R$ 130 mil a superiores de R$ 500 mil. Segundo a corretora do Boulevard do Parque, Ana Cristina Rocha de Castro, mais conhecida como Florata, 95% dos apartamentos já foram vendidos. O empreendimento foi lançado em 2008 e a procura cresceu bastante depois da construção das torres. “O perfil dos compradores e dos interessados tem renda entre R$ 5 a R$ 10 mil. Esse empreendimento está mudando a região, atraindo para a Zona Noroeste famílias de poder aquisitivo maior”.

Florata afirmou que muitos jovens procuram pelos apartamentos do Boulevard do Parque. Ela credita o aumento da procura, principalmente dos jovens, às facilidades de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF) e pelo preço. “A Caixa financia 80% do imóvel em até 360 meses. Além disso, esse empreendimento tem o metro quadrado mais barato de Santos, de R$ 3.800”, afirmou.

Ainda de acordo com Florata, a maioria dos interessados é de moradores de Santos. “São moradores que querem sair do aluguel, mas também há interessados que já moraram em Santos e querem voltar”.