Prisão barra negócios de ex-diretor da Petrobras

Nos bastidores, Costa costumava ter grande desenvoltura no Congresso Nacional quando estava na estatal. Integrava a cota peemedebista na Petrobrás

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22 MAR 201413h32

O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa tinha planos ambiciosos para ampliar suas atividades empresariais. Presidente da Costa Global e do Grupo Ref Brasil, ele já havia conseguido assinar um protocolo de intenções com o governo de Sergipe para construir uma refinaria privada de petróleo no Estado, em Carmópolis, numa negociação estimada em cerca de R$ 120 milhões.

Os fatos dos últimos dias, no entanto, enterram as pretensões de Costa em Sergipe. Primeiro, ele foi alvo da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Os investigadores descobriram uma estreita relação dele com o doleiro Alberto Youssef, de quem chegou a ganhar uma Land Rover. Também acharam muito dinheiro em sua casa, no Rio de Janeiro. Foi preso sob suspeita de lavagem de dinheiro e tentativa de ocultar provas. Os federais relacionam Costa a um "plano de negócios com a Petrobrás", estatal da qual já foi diretor.

A prisão anteontem acabou jogando luz à atuação de Costa em outro caso polêmico: a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA) pela Petrobrás. Em 2006, quando o Conselho de Administração da estatal aprovou o negócio sob o comando da hoje presidente Dilma Rousseff, Costa ainda estava na empresa e ajudou a elaborar o contrato. Ao lado de Nestor Cerveró, à época diretor da área internacional, ele preparou o "resumo técnico" considerado "falho" e "incompleto" por Dilma. A presidente disse que, se soubesse de algumas cláusulas omitidas nesse resumo, não teria aprovado a compra da refinaria de Pasadena.

Nos bastidores, Costa costumava ter grande desenvoltura no Congresso Nacional quando estava na estatal. Integrava a cota peemedebista na Petrobrás.

Paulo Roberto Costa tinha planos ambiciosos para ampliar suas atividades empresariais (Foto: Divulgação)

O projeto de Sergipe fazia parte de um plano maior, que incluía a construção de outras três minirrefinarias, todas privadas, ao longo da década. Os locais já estavam escolhidos. Além de Sergipe, seriam feitas também no Ceará, Alagoas e Espírito Santo. Costa chegou a comentar que já tinha se encontrado com o governador do Ceará, Cid Gomes, para tratar do assunto.

Em Sergipe, as operações já estavam muito mais adiantadas. O governador Jackson Barreto (PMDB) anunciou, com toda a pompa e circunstância, o superinvestimento privado no Estado, no dia 13 de janeiro. A refinaria ainda homenagearia o governador Marcelo Déda, petista que morreu de câncer em dezembro do ano passado.

A prisão de Costa, acusado de envolvimento no esquema de lavagem de recursos ilícitos, que pode chegar a R$ 10 bilhões, corta a negociação, segundo nota oficial da Secretaria de Estado do Desenvolvimento e Tecnologia de Sergipe. "A secretaria garante que não houve qualquer prejuízo para o Estado, uma vez que não foi realizada nenhuma concessão de incentivo, pois o processo ainda se encontra na fase protocolar de intenções e o projeto aguarda as definições da ANP e Petrobrás, indispensáveis a qualquer decisão governamental", afirma a pasta.